O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 28/07/2020

No seriado sul-coreano “Crash landing on you”,  a personagem Se-ri se gaba por comer carne em duas das suas três refeições diárias, uma vez que, na Coréia, alimentar-se prioritariamente dessa fonte de proteína é restrito às camadas mais ricas da população, devido ao pouco espaço para o pastoreio do gado. Nesse sentido, o tema abordado na produção televisiva põe em pauta a discussão sobre os hábitos alimentares atuais, os quais causam prejuízos de ordem ambiental e social.

De fato, dietas como veganismo e vegetarianismo têm crescido na contemporaneidade. Isso porque ampliou-se a noção da sociedade de que o consumo de produtos de origem animal é maléfico tanto para os bichos quanto para o meio ambiente. Nesse contexto, desde 1950, com o advento da Revolução Verde, proveniente dos Estados Unidos, observa-se o incremento do uso de agrotóxicos nas plantações de soja e milho, cujo efeito é o extermínio de algumas espécies de insetos; o aumento na utilização de sementes transgênicas, as quais a ciência ainda não sabe quais serão os impactos no organismo humano e o confinamento maciço do gado de corte consoante ao ideal pregado na pecuária intensiva que provoca a liberação para a atmosfera de gases contribuintes do efeito estufa, principalmente o metano, resultante do trato digestório dos ruminantes. Em outras palavras, para manter a alimentação predatória dos seres humanos seria necessário, pelo menos, dois planetas Terras, de acordo com estudos confiáveis.

Certamente há outras celeumas no consumo carnívoro. Por exemplo, na Geografia, estuda-se a chamada água virtual, a qual se refere à água, exportada para outros países, contabilizada nos alimentos. Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), para produzir 1 kg de carne são empregados 15 mil litros do líquido na cadeia produtiva. Ou seja, o impacto ambiental é notório e nocivo para o futuro das espécies. Ademais, o solo e florestas são queimados e devastados para garantir a fluidez do agronegócio, o qual planta a ração, realiza o pastoreio e industrializa as mercadorias. Em um período  histórico em que se discute sobre os direitos dos animais e intensificação das mudanças climáticas, é, no mínimo, contraditório manter o sistema produtivo atual em vigor, sem nenhuma alteração.

Portanto, é mister que o governo, em parceria com a mídia e as escolas, organize campanhas publicitárias que incentivem a diminuição do consumo de carne e conscientize sobre os problemas  ambientais causados pelo consumo excessivo dessa fonte proteica. Por meio das divulgações em redes sociais, espera-se que a sociedade adote uma forma de alimentação menos dependente dos produtos animais e realize movimentos à favor do planeta Terra como a defesa das florestas e campos nativos. Assim, novas “Se-ris” se gabarão, não por comer carne, mas por ajudarem o meio natural.