O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 28/07/2020

No clássico “Revolução dos Bichos” , George Orwell retrata a exploração animal para a sustentação do paladar humano. Fora da literatura, essa realidade alarmante perdura na terra dos sabiás, tendo em vista o exacerbado consumo de carne atual. Dessa forma, faz-se necessário discutir a mentalidade capitalista como propulsora desse problema, além do legado histórico da exploração natural.

Em primeira análise, cabe destacar a influência da ideologia que visa o lucro nessa questão. Sob esse prisma, de acordo com Karl Marx, o sistema político-econômico influencia todas as esferas sociais. Com efeito, a coisificação de animais e a sua transformação em mercadorias está, intimamente, ligada a essa ideologia. Tal cenário é um problema, visto que, assim como na teoria de Maquiavel, esse mentalidade visa o fim –o capital –em detrimento dos meios, o que se reverbera nos índices de desmatamento brasileiro em virtude da pecuária excessiva.

Ademais, cabe ressaltar a herança colonial sobre o pensamento dos recursos naturais. Nesse sentido, desde a chegada dos portugueses, acredita-se, equivocadamente, que os recursos das terras das palmeiras são ilimitados. Ainda hoje, assim como para extrair o Pau-Brasil, a destruição das florestas figura como o meio para aumentar a produção pecuária. Dessa forma, é paradoxal que, mesmo no século XXI, o país, que tem seu nome originado de uma árvore, continue a praticar um desmatamento compulsório e maquiavélico a fim de agradar seu paladar.

Diante disso, torna-se imprescindível discutir o consumo de carne no Brasil. Portanto, com vistas a diminuir o índice de queimadas e retirada de mata vegetal para a pecuária, o Ministério da Educação deve adicionar à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) uma disciplina acerca da educação ambiental crítica, que tenha como foco as consequências do excessivo consumo de animais. Isso pode se dar por meio da contratação de professores, a exemplo de sociólogos inspirados nos ideais de Marx. Assim, espera-se que a distopia de Orwell não se reproduza no Brasil.