O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 30/07/2020

Desde a Pré-História, a questão da alimentação foi primordial para o desenvolvimento do homem na natureza. Com a caça, além do alimento, os ossos e o couro dos animais eram utilizados para vestimenta e fabricação de objetos. Contudo, com os avanços e descobertas da sociedade atual, o costume milenar do consumo de carne se torna pauta para debates nas áreas sociais, ambientais e políticas. Logo, torna-se essencial discutir acerca os impactos na economia e questão ambiental no processo de produção e consumo de carnes no país.

A priori, é indiscutível, que abrir o debate sobre hábitos alimentares no Brasil, é um processo que envolve não só o social, mas também a política e a economia que está em voga no Estado. Em virtude da formação econômica retrógrada que o Brasil se estabeleceu, a produção, principalmente de aves, consolidou a nação como a maior exportadora de carnes do planeta, e contribuindo para a sua alta colocação como a Nona Economia Mundial (segundo o Fundo Monetário Internacional). Equidistante ao âmbito econômico, a política é influenciada por esses dados, contribuindo para a solidificação da “Bancada Ruralista”, falta de projetos de preservação ambiental e dificuldade da desconstrução da sociedade no que tange a alimentação dos brasileiros. Dessa forma, a discussão sofre diversos empecilhos que comprometem sua solidificação.

Ademais, os processos de produção da carne, desde a alocação dos animais até o consumidor final, trazem diversos prejuízos ambientais para o planeta. Por causa da alta demanda no mercado exterior e nacional, produtores rurais são os responsáveis pelo uso exacerbado dos recursos naturais. Dessa forma, contribui para uma possível extinção em massa no bioma Cerrado e no agravamento do efeito estufa. Conforme o âmbito apresentado, a reflexão do líder indígena, Davi Kopenawa, “o desenvolvimento econômico ameaça a Terra”, se torna a base para fomentar uma nova conjuntura política, econômica e social no Brasil que tenha como base a preservação ambiental para a prolongação da vida no planeta.

Em síntese, cabe ao Estado impor medidas que resolvam os impasses. O Ministério da Agricultura, e Pecuária  em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, devem apresentar ao Congresso Nacional, um projeto de Lei de regulamentação de emissão de gases, utilização dos recursos naturais e capacitação de profissionais federais voltados para a fiscalização das produções animais. Por meio de limites impostos pela Lei, produtores rurais serão obrigados a respeitar as condições impostas, e caso não cumpram, terão que pagar multas de altos valores e lidar com a proibição de comercialização de seus produtos. Espera-se com essas medidas, mudanças no cenário de preservação ambiental.