O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 01/08/2020

A carne faz parte da dieta do humano a muito tempo, entretanto, desde a Revolução Verde da década de 50, seu consumo tem aumentado justamente pela maior oferta de grãos que servem de alimento para os animais. Assim, a expansão do agronegócio para suprir a dieta carnívora mundial, sufoca cada vez mais reservas ambientais, ocasionando suas degradações. Todavia, os impactos não se restringem apenas ao meio ambiente, mas também ao meio social, se tornando uma das causas para a persistência da fome mundial.

Em primeira análise, vale salientar que segundo a Worldwatch Institute, o setor agropecuário é responsável por 51% das mudanças climáticas, enquanto o transporte - visto por muitos como a principal causa - possui 13% de responsabilidade. Isso se deve ao fato de que os gases e resíduos produzidos pelos animais, chegam ser 296 vezes mais poluentes que o dióxido de carbono. Nesse sentido, é indubitável que a expansão de pasto para criação de gado de corte, além de promover danos irreversíveis a mata nativa, contribui ainda mais para a alteração climática mundial, exemplificado pelo avanço do arco do desmatamento amazônico que intensificou a desertificação local. Desta forma, torna-se insustentável conciliar conservação ambiental com o alto consumo médio de carne mundial, visto que, uma pastagem ocupa uma área muito maior que vegetais com as mesmas propriedades nutricionais.

Outro aspecto relevante a ser discutido é quanto ao contexto social : 82% das crianças que passam fome, habitam países cuja carne produzida é exportada para a Europa, EUA, China, dado comprovado pelo documentário de 2014 : “Cowspiracy”. Assim, a persistência desta problemática, fundamenta-se também  no setor agropecuário, que expandindo suas terras, contribui para o aumento da fome em países menos desenvolvidos, pois terras que poderiam ser utilizadas pelo pequeno produtor para suprir a demanda local, são tomadas pelos grandes agropecuários que almejam o lucro da exportação. Ademais, estes contam com apoio político nas suas práticas, que impedem o avanço de projetos de leis mais justos, a exemplo disso é a chamada “bancada ruralista brasileira”, com forte atuação parlamentar.

Urge portanto a necessidade de que ONGs aliadas ao Ministério da Saúde, promovam por meio de palestras - em escolas públicas, particulares e empresas privadas - que discutam os danos ambientais e sociais associados ao consumo de carne, bem como formas de substitui-la na dieta diária. Além disso, cabe aos Deputados Federais, pressionarem o Congresso com um projeto de lei que restrinja o avanço da fronteira agrícola e impeça a total exportação dos produtos, a fim de que supra a falta do mercado interno.