O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 02/08/2020
A teia alimentar do planeta é muito complexa e, em resumo, funciona divida em quatro etapas principais, começa com a produção primária de alimento desenvolvida pelas plantas, denominadas autótrofas, que serão ingeridas pelos seres herbívoros, aqueles que alimentam-se apenas de vegetais. Em seguida, esses animais são predados pelos seres carnívoros, comem apenas carne, e que, ao morrerem, serão degradados pelos indivíduos decompositores, fechando o ciclo e permitindo seu recomeço. Logo, a ingestão de carne é algo natural do ecossistema terrestre e não pode ser evitada. Porém, pelo fato de que a população humana ter atingido um número além do que o planeta Terra consegue sustentar e que a espécie Homo sapiens seja dotada de uma característica especial, ser onívora, capacidade de se alimentar de vegetais ou de outros animais, é necessário e, completamente, viável, a redução do consumo de carne.
Esse estado de “praga”, que ocorre quando determinada espécie cresce de forma desproporcional, desequilibrando o ambiente em que vive, atingido pela humanidade é comprovado pelos dados da ONG Global Footprint, que, em 2019, divulgou que a razão de consumo dos recursos naturais da Terra, em comparação com sua capacidade de regeneração, é de 1.75 vezes. Ou seja, caso a situação se mantenha da maneira em que está, o planeta não mais conseguirá sustentar a vida. Assim, para alterá–la, é necessário trocar conter o avanço populacional, ao mesmo tempo em que os recursos terrestres devem ser utilizados de forma mais responsável, reduzindo-se o desmatamento e a poluição.
Entre os fatores que mais contribuem pela devastação da natureza é a enorme produção de carne, necessária para abastecer uma sociedade, que depende desse alimento por uma questão muito mais psicológica, relacionada ao costume de ingeri-la em grande quantidade, do que por uma questão biológica, já que a proteína pode ser retirada de várias outras fontes, muito menos maléficas ao meio ambiente. Dessa maneira, o documentário Cowspiracy, realça o impacto negativo da pecuária, principalmente a bovina, e mostra diversas medidas que reduziriam a dependência humana nesse modal de produção alimentícia. Ademais, o estudo apresentado explica que essas mudanças só não aplicadas por motivos econômicos, visto que esse mercado é responsável por gerar grandes fortunas.
Frente ao exposto, a produção de carne é responsável por grande parte da devastação ambiental. Logo, para reduzir a produção pecuária no planeta, a ONU deve, em conjunto com a OCDE, dificultar o comércio internacional de carne, por meio de sansões comerciais aos grandes países consumidores e produtores. Assim, também, é preciso ajudar esses países a se adaptarem aos novos padrões de consumo e produção, provendo ajuda financeira e tecnológica.