O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 03/08/2020
Segundo Sartre, filósofo francês, o ser humano é livre e responsável; cabe a ele escolher seu modo de agir. Logo, com o avanço do sistema capitalista, recai sobre o homem o compromisso de tornar o mundo mais sustentável. No século XXI, a preocupação com o consumo excessivo de carne no Brasil e no mundo, segue em discussão tanto pela saúde quanto pelo combate a fome. No entanto, também deve ser levado em consideração a Declaração Universal dos Direitos dos Animais promulgada em 1978, onde defende o direito à vida dos animais, no qual o consumo exacerbado de carne na sociedade atual têm ferido esse direito. Sendo assim, é necessário a análise desse imbróglio, haja vista dois aspectos: a insuficiência legislativa e a não divulgação do tema pela mídia.
Em primeiro lugar, deve-se pontuar que a insuficiência legislativa configura-se em um empecilho para essa problemática. Nesse sentido, o ex-presidente Washington Luís traz uma contribuição relevante ao defender que o Estado é um ausente contumaz. À luz desse pensamento, aponta como problemática a negligência dos órgãos públicos com quase todos os aspectos de fiscalizações ambientais, principalmente na Amazônia, onde a pecuária desmata milhares de hectares por ano para a plantação de milho e soja para o consumo de animais que mais tarde serão conduzidos aos abatedouros. Posto isso, medidas ambientais não têm sido suficientes para a sua resolução. Desse modo, essa conjuntura exemplifica a falta de assistência do Governo à não observação dos preceitos da constituição ambiental brasileira, o que corrobora com o agravamento de desmatamentos pela pecuária no País.
Em segundo lugar, outra dificuldade enfrentada é a questão da não divulgação do tema pela mídia. Consoante à reflexão de Zygmunt Bauman, o conceito de “Modernidade Líquida” faz referência à fragilidade existente nas relações humanas, que estão atreladas à fugacidade. Baseando-se nessa ideia, é notório analisar que a mídia, em grande parte, trabalha em prol das necessidades de uma época, sempre dando ênfase à efemeridade dos demais assuntos, como no caso do consumo de carne na sociedade atual, em que não confere a seriedade devida e tampouco traz a representatividade do tema. Portanto, essa situação-problema, em um curto prazo de tempo, é esquecida pelos meios de comunicação, mas prevalece, de fato, na realidade, acarretando prejuízos a saúde da sociedade, além do problema com a fome mundial que poderia ser combatida, se houvesse menos consumo de carne.
Logo, é preciso que os indivíduos assumam, portanto, sua responsabilidade diante do consumo excessivo de carne, uma vez que isso leva a muitos problemas ambientais e sociais. Sendo assim, desde que haja a parceria entre governo, mídia, comunidade e família, para divulgar os malefícios desse exagero será possível abaixar os problemas, construindo um Brasil mais sustentável e saudável.