O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 07/11/2020
A Constituição Federal de 1988 garante o direito ao bem-estar social coletivo. Entretanto, observa-se que essa prerrogativa estatal não é cumprida integralmente, visto que o consumo de carne no Brasil faz o país ser um grande expoente pecuário, contribuindo para a poluição e, acarretando, consequentemente em ameaças à saúde pública. Portanto é necessário observar as causas que fazem a ingestão de alimentos de origem animal ser uma problemática no território nacional.
A princípio, segundo Thomas Hobbes, o Estado é gestor dos interesses coletivos. Entretanto, muitas vezes, o Poder Público omite a segurança ambiental em ração da pecuária. Comprova-se isso ao observar as tentativas do Governo Federal em reduzir as áreas de proteção ambiental para ampliar a criação de gado, como destacou o Jornal A Folha de São Paulo. Consequentemente, a ampliação da produção de proteína animal representa risco, pois além de desmatamento, provoca o aumento da liberação de metano na atmosfera. Essa poluição acarreta na diminuição da qualidade de vida almejada pela constituição, já que a poluição propicia o aumento de doenças respiratórias, como afirma a OMS.
Ademais, parafraseando Oscar Wilde, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso. Indo de encontro à máxima de Wilde, observa-se, frequentemente, os brasileiros alienados aos malefícios sociais e ambientais do consumo de proteina animal. Evidencia-se esse paradoxo ao destacar o caso da ativista Luíza Mel que, comumente, sofre agressões virtuais por expor seus hábitos vegetarianos e os prejuízos da dieta com carne. Por consequência, a falta de tolerância social corrobora para um maior grau de dificuldade na inserção de novos hábitos alimentares entre a população brasileira.
Portanto, observa-se que a alimentação de origem animal no Brasil é marcada por fragilidades. Sendo assim, é necessário que o Poder Público, por meio do Ministério do Meio Ambiente, arroje suas prerrogativas de sustentabilidade, expandindo as áreas de proteção ambiental, fiscalizando as áreas jpa existentes e controlando a produção de gado. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias de Educação, incentive a construção de novos hábitos alimentares, incluindo a culinária vegetariana no cardápio escola e promovendo oficinas sobre essa dieta em praças públicas. Talvez, dessa forma, seja possível diminuir o consumo de carne, evitando seus impactos e garantindo o funcionamento íntegro da Constituição Federal.