O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 04/08/2020
É notório que a melhor fonte para obtenção de aminoácidos essenciais está em proteínas de origem animal. Não necessariamente a carne, como ovos e laticínios conseguem complementar uma dieta balanceada ideal. No entanto, por uma questão cultural, a demanda maior por parte dos consumidores é de carne. Para suprir esta procura e visando lucratividade, principalmente com as exportações, os recursos naturais são explorados de forma indiscriminada pelo homem, com efeitos diretos sobre a natureza.
Conforme dados apresentados pela ecóloga Ima Vieira, a pecuária é responsável por 80% do desmatamento da Amazônia. As queimadas realizadas com esta finalidade, provocam a emissão de gases de efeito estufa que contribuem para o aquecimento global. Além disso, as práticas de monocultivo usadas para alimentação animal, diminuem a biodiversidade das áreas. Ademais, a contaminação das águas pelo uso excessivo de fertilizantes sintéticos e inutilidade dos solos por cultivo contínuo e por processos de compactação e erosão, são mais exemplos de como a produção animal afeta o meio ambiente.
Não obstante, a Greenpeace em 2015 lançou o relatório “Carne ao Molho Madeira”, mostrando que os principais supermercados do Brasil não possuem garantia da origem da carne que comercializam e nem asseguram a inexistência de crimes socioambientais na produção. Sustentando assim, um ciclo de destruição e violência na Amazônia. Dessa forma, o homem se torna agente direto e indireto dessa ação, uma vez que, consome o produto sem fiscalizar e exigir das grandes corporações que o alimento não seja oriundo de práticas ilegais.
Torna-se importante, portanto, ressaltar a urgência de ações para frear sistemas de produção animal não sustentáveis. O Poder Executivo, deve subsidiar tecnologias de produção, como a implantação de GPS (Ecoboi) nos bovinos que faz o rastreamento do animal durante toda a sua vida. Dessa maneira, o criador conseguirá comprovar que cumpriu as leis ambientais e não permitiu a pastagem em áreas sensíveis.