O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 05/08/2020

A partir da década de 90 os estudos acerca do aquecimento global ganharam atenção, como mostrou Carl Sagan em seu excerto “Emboscada: o aquecimento do mundo” no qual ele explica que o agravamento do aquecimento global e suas consequências estão ligados à liberação de gases de efeito estufa na atmosfera. Porém, foi apenas no século XXI que o consumo e produção de carne foram assimilados à liberação de gases. Entretanto, a maioria da população mundial segue com a carne como alimento principal de sua dieta, como efeito do desconhecimento dos impactos ambientais causados pelo consumo da carne ou da desinformação nutricional de alimentos com outra origem.

Sobretudo, no Brasil, apesar do país ser um dos maiores produtores de carne para fim alimentício, não apenas para exportação como também para consumo interno, parte dos cidadãos não sabe como a indústria por trás de suas refeições impacta o meio ambiente. Por consequência da desinformação, aumenta-se, junto com o número de habitantes, o consumo e incentivo à industria da carne brasileira, responsável por 53% dos gases efeito estufa liberados na atmosfera e 2/3 dos desmatamentos locados na amazônia. Logo, com o grande volume de gases efeito estufa e o desmatamento da amazônia, gerados pelo alto consumo de carne, cresce exponencialmente o aquecimento global e a degradação da flora e fauna brasileira.

Outrossim, o ideário de que carne é essencial na alimentação por ser fonte de proteínas e macronutrientes necessários para uma vida saudável é dominante na massa popular. Todavia, a informações nutricionais de grãos, por exemplo o grão-de-bico e o feijão, são claras ao apontar a quantidades semelhantes senão similares de proteínas e macronutrientes se tais estes forem inseridos como substitutos à carnes. Contudo, o pouco conhecimento nutricional generalizado da massa popular também atinge até mesmo aqueles que tem conhecimento sobre os impactos ambientais causados pelo consumo de carne, pesando sobre a decisão de reduzir ou cortar o consumo.

A informação sobre a origem da carne alimentícia e seus valores nutricionais, junto de outros alimentos é, por conseguinte, chave para conscientização da população acerca de seus hábitos alimentares. Desse modo, cabe ao ministério da educação e da saúde, em parceria, a implementação de programas midiáticos didáticos na internet, a fim de informar as várias faixas etárias sobre os valores nutricionais dos alimentos. Paralelamente, ONGs ambientais devem criar palestras comunitárias que tratem dos impactos à natureza causados pela industria agropecuária, esclarecendo a necessidade da diminuição do consumo de carnes. Tomadas estas medidas, o consumo de carne pode ser diminuído sem prejudicar a saúde da população e os impactos ambientais provocados pelo mesmo minimizados.