O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 14/08/2020

Durante o Brasil colonial, ocorreu a inserção de valores discursivos relacionados ao consumo da carne, que mais tarde foi intensificado com o processo de urbanização. Ressalta-se o discurso nutricionista, desenvolvido a partir da década de 1930 no Brasil, que garantiu a ideia da carne enquanto alimento por excelência, dividindo entre aqueles que têm acesso a esse alimento e aqueles que não têm. No contexto atual, muito se discute sobre questões sociais, uma delas são os hábitos alimentares, uma vez que, o consumo de carne tem relevância na cultura alimentar brasileira.

Primeiramente, é necessário observar que desde o século XlX a carne é feita como alimento fundamental para uma refeição efetiva. De acordo com o artigo The consumption of meat in Brazil, “ a carne bovina é elevada ao nível imaginário e comercial como alimento essencial da culinária popular e gastronômica brasileira, no qual grande parte da população mundial dá à carne importância tão significativa que faz com que esta matéria prima seja considerada fundamental na formação de suas refeições”. Portanto, é essencial conscientizar a sociedade de que não é necessário comer carne todos os dias de forma tão avassaladora.

Assim é necessário dar percepção ao outro lado, como as manifestações contrárias ao consumo de carne, permeadas por diferentes esferas ideológicas, éticas, estéticas ou ecológicas. Há forte crítica, no período contemporâneo, à industrialização da produção de carne, responsável por grande parte da poluição ambiental, por conta do desmatamento criado para a localidade da produção de pasto. No aspecto sanitário e social, o consumo de hormônios pelos animais criados para o abate e armazenamento são muito hostis, prejudicando não somente a qualidade da carne, mas também o maltrato aos animais, no qual muitos locais acabam por injuriar do animal de forma que o mesmo acaba sofrendo mais do que deveria.

Logo, é inevitável analisar novas formas de consumo da carne e criar políticas ao bem estar do animal. Desta forma, o Governo deve criar novas leis sobre o modo de abate destes animais e fiscalizar quanto ao maltrato dos produtores e operadores da criação de pasto, de forma que estes não sofram mais do que já toleram, para assim o consumo de carne seja mais digno e decente. Além disso, cabe a ONG ( Organização Não Governamental) e ao FAO ( Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura ) por meio de campanhas e palestras conscientizar a população que a carne não é o principal elemento de uma refeição eficaz e existe outras maneiras de ingerir proteínas com outros alimentos. Deste modo, o consumo de carne como questão social irá diminuir, fazendo com que não prejudique nem ao meio ambiente, e nem aos animais.