O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 12/08/2020
A relação do homem com a alimentação composta de pedaços de animais começou há 2,7 milhões de anos, ainda na época dos Australopitecos. Com o avanço da humanidade, a pecuária tornou-se um mercado de extrema relevância e participação na vida dos humanos. Entretanto, diversos malefícios foram percebidos a longo prazo, porém, conforme Marx, o homem é seu próprio coveiro, ou seja, o comércio é mais importante do que a preocupação com a saúde. Por motivos de intenso desgaste do ecossistema e escassa informação direcionada à população, sobre os males e vegetarianismo, o consumo de carne necessita ser debatido para que possa haver melhoras em um breve futuro.
Como supracitado, o meio ambiente é o mais atingido nesse contexto. Certamente, a maioria da população tem o conhecimento de que é necessário o desmatamento para haver a criação de gado. Contudo, essa informação não aparenta gerar impactos, uma vez que, conforme a ONU, se até 2050 o consumo for mantido como o atual – mesmo com o dobro de pessoas, expectativa da organização-, 85% da floresta Amazônia não existirá. Além disso, para que os animais cresçam e sejam aptos ao abate, a alimentação é inquestionável, porém, esse fato também ocasiona problemas. Com a finalidade de sustentar a pecuária, a produção de soja e milho é fortemente acionada, o que gera um enorme aumento de agrotóxicos no solo e liberação dos gases do efeito estufa, segundo a ONU.
Outrossim, a falta de conhecimento sobre o assunto faz com que a adversidade ganhe proporções ainda maiores. Como dito anteriormente, os cidadãos não têm acesso aos efeitos que o consumo em grande escala de carne pode gerar na sociedade. Essa situação ocorre pelo fato de que, caso o Brasil apenas pare a sua exportação de animais vivos, a economia sofre um prejuízo de 1 bilhão de reais- de acordo com a PL do senador Rudson Leite-, ou seja, a nação não pode ter consciência dos danos. Da mesma forma, a ideia de uma má saúde vivenciada pelos vegetarianos é muito dissipada no corpo social. Consoante a uma pesquisa feita pelo economista comportamental, Dan Ariely, as pessoas consideram os vegetarianos agressivos e com maiores chances de doenças relacionadas a falta de nutrientes. Todavia, essa afirmação é errônea, uma vez que 200g de amêndoas possui a mesma quantidade de proteína que uma vaca inteira, conforme o Terra.
Diante desse cenário, medidas são necessárias para amenizar o impasse. Entretanto, haverá melhoras caso o Ministério da Agricultura desenvolver novas tecnologias que reduzam o agrotóxico e o desmatamento, por meio de criações e plantações sustentáveis, para que o ecossistema sofra menos. Ademais, é de extrema importância que os Ministérios da Economia e Saúde deixem claro os seus interesses e efeitos, mediante a pronunciamentos, para que a população decida o melhor para si.