O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 14/08/2020

É correto inferir que o consumo da carne de animais nos primórdios da História constitui-se importante fator para a evolução do cérebro e da intelectualidade humana. Contudo, no cenário hodierno de explosão demográfica e aumento exponencial do consumo alimentício, a indústria do pastoreio levanta críticas e indagações por indivíduos insatisfeitos com as consequências desse hábito alimentar para o planeta. Desse modo, evidencia-se que a ingestão de carne deixa de ser uma escolha individual e torna-se uma questão coletiva, resultando na urgência em se debater sobre os efeitos da cultura alimentar, assim como propostas para amenizá-los.

Em primeiro lugar, é importante destacar a transformação do pensamento contemporâneo em relação à procedência das mercadorias expostas, revertendo o quadro de “fetichismo da mercadoria” proferido por Karl Marx, em que as etapas de produção, bem como a montagem do produto, não são conhecidas pelo comprador, mas somente o produto final. No contexto da era informacional e tecnológica, os cidadãos possuem recursos para questionar a indústria frigorífica e sua influência nos índices alarmantes de desmatamento, consumo exacerbado de água, e denúncias de maus tratos aos animais. Diante dessa metamorfose, a mídia destaca-se como grande aliada à disseminação de informação e campanhas de organizações ambientais, além de exercer imensa influência sobre o comportamento e estilo de vida de seu público.

Entretanto, apesar dos recentes avanços culinários e nutricionais em busca de opções substituintes da proteína animal, a acessibilidade a tais produtos, assim como sua aderência permanente aos lares, ainda encontra obstáculos para concretizarem-se. A compreensão da necessidade de se empregar novos costumes deveria ter síntese não só no plano individual. Incumbe também ao governo garantir que isso ocorra, pois, mesmo que este não seja responsável pelo “espírito em outros” do homem, termo da filosofia de Hegel que se refere à capacidade de reconhecer sua vivência em sociedade, ainda faz-se dever governamental frear os impactos negativos da falta desse “espírito” para o corpo social.

Portanto, diante dos argumentos supracitados, cabe ao Estado gerir políticas públicas para a conscientização da população, por meio de campanhas midiáticas e educativas, assim como incentivar financeiramente os produtos não degradáveis ao meio ambiente, e efetivar o cumprimento da legislação de proteção ambiental, a fim de validar seu papel protetivo contra os efeitos do pastoreio. Não menos importante, os cidadãos devem estar dispostos a reinventar seus estilos de vida, frente à urgência da empregabilidade do pensamento aristotélico do “sumo bem”, ou bem comum, para alcançarmos uma realidade em que o desenvolvimento econômico não invalide a preservação ambiental.