O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 18/08/2020

Conforme a mestre em ciências gastronômicas Bela Gil, é possível mudar o mundo por intermédio da alimentação. De fato, a sociedade atual, acelerada e sintética, está repleta de problemas relacionados aos hábitos alimentares e ao consumo excessivo de carne. Apesar de haver facilidade no acesso a informações sobre o impacto de suas dietas, ainda é notável a preferência da população por práticas mais confortáveis e menos sustentáveis.

Em primeiro lugar, é necessário introduzir o conceito de tripé da sustentabilidade, criado em 1990, para questionar o impacto do consumo de carne hodiernamente. Em suma, para que uma atividade seja correta, ela deve garantir o bem-estar social, ambiental e econômico. Conquanto, o que se observa é que a produção de alimentos de origem animal no Brasil é responsável por boa parte das emissões de gases do efeito estufa, por um enorme gasto de água e pela maior porcentagem de desmatamento da floresta amazônica. Além disso, apresenta altos custos para ração, energia e terra, não sendo também a melhor opção para a saúde das pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Com isso, observa-se que mudanças nesse hábito alimentar são de extrema importância para caminhar em uma direção correta e sustentável.

Desse modo, é imprescindível destacar a influência da publicidade e da formação educacional dos indivíduos nesse cenário, visto que a sociedade que busca o consumo hiperbólico é estimulada, principalmente, pelo corpo social e pela mídia. Comer uma comida saborosa, mesmo que ela apresente tantos efeitos negativos, é associada ao prazer imediato, confirmando a análise do sociólogo Zygmunt Bauman sobre o fato de vivermos em tempos líquidos, em que o hedonismo e o imediatismo predominam sobre a preocupação com o futuro da humanidade. Nesse sentido, é possível perceber que os sujeitos optam por uma dieta de origem animal, em sua maioria, por ser mais apetente e por encararem, culturalmente, a carne como fonte prioritária de proteína.

Logo, conclui-se que para o combate à liquidez citada, uma solução é a educação, berço de todas as mudanças sociais, de acordo com o educador e filósofo Paulo Freire. Para que os hábitos alimentares sejam repensados, a ingestão de alimentos de origem animal seja reduzida e o conhecimento das pessoas sobre consumo responsável aumente, urge que o Ministério da Educação promova palestras, campanhas, atividades lúdicas e debates nas escolas, envolvendo os estudantes e as famílias. A ideia é que, por meio de professores e nutricionistas, seja apresentado o tema e os impactos que ele gera, além de alternativas criativas como um único dia sem consumir carne, experimentar outras fontes de proteína e etc. Enfim, mudanças nos hábitos alimentares poderão ajudar a lapidar um mundo melhor.