O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 18/08/2020
Durante o Paleolítico, o homem, enquanto nômade, migrou em busca de sua subsistência, seja pela caça ou pela coleta. Após a Revolução Neolítica, no entanto, esse panorama sofreu uma mudança substancial, já que, com o advento da agricultura e da domesticação de animais, tornou-se enfim possível sua sedentarização e o surgimento das primeiras cidades. Analogamente, no século XXI, nota-se uma grande disparidade entre as demandas da população mundial e a capacidade de produção desses alimentos, especialmente no que se refere à carne. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), por exemplo, estima-se que, até 2050, seu consumo atingirá 455 milhões de toneladas o que, na atual conjuntura, não será viável. Dessa forma, faz-se necessária a discussão dos hábitos alimentares contemporâneos e seus efeitos ambientais e nutricionais, de forma a se buscar alternativas
Primeiramente, deve-se salientar os perigos que um consumo desenfreado pode promover ao ambiente. Dentre eles, destaca-se a urgência de se desmatar para pasto, e a escassez de recursos naturais, como a água, essencial, tanto para a hidratação do gado, quanto para a produção de seu alimento. Outrossim, a indústria pecuária carece de eficiência: em um mundo em que a fome persiste, paradoxalmente, estima-se que a cada 100 gramas de plantação investidos na alimentação das vacas abatidas, apenas 4 gramas são convertidos em carne.
Ademais, tal como a realidade retratada no livro de George Orwell, “Revolução dos Bichos”, em que os animais de uma granja, cansados de serem explorados, rebelam-se contra seu proprietário em busca de melhores condições, na contemporaneidade, o descaso com relação aos animais perdura sob o pretexto de uma maior produtividade. Dessa maneira, são inúmeros os maus-tratos a eles durante as etapas de produção, desde o confinamento desses em estruturas apertadas e precárias ao uso de antibióticos os quais, se administrados em excesso, incitam mutações genéticas nas bactérias e levam ao reaparecimento de doenças já erradicadas.
É imprescindível, portanto, que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento instrua a população, principalmente a mais jovem, cujos hábitos são mais sujeitos à mudança, acerca de substituições ao consumo de carne. Essa conscientização, por sua vez, dar-se-á por intermédio de eventos gastronômicos gratuitos, ministrados por nutricionistas e chefes com o intuito de advertir os transeuntes e desmistificar a culinária vegetariana, não só de uma perspectiva nutricional, como também de um aspecto gustativo. Assim, será refreado o consumo excessivo de carne, juntamente a suas consequências, e ter-se-á uma sociedade sadia e responsável pelas futuras gerações.