O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 13/08/2020

Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que o consumo de carne traz vários malefícios para todos os agentes envolvidos, tornando-se necessário a discussão sobre os hábitos alimentares na sociedade atual. Esse cenário antagônico, entre outros problemas, envolve: as mudanças climáticas, devido ao desmatamento para áreas de pastos, além dos maus tratos extremos aos animais pela indústria alimentícia.

Precipuamente, é fulcral pontuar que, no Brasil, o desmatamento de florestas para áreas de pastagens resultou na quase extinção do bioma da Mata Atlântica e, atualmente, avança sobre a Floresta Amazônica. Ainda, para “cuidar” do gado, desde o nascimento até seu abate, é necessário elevadas quantidades de água potável, aumentando a pegada hídrica da carne. Essa realidade tornou-se um absurdo, pois evidencia o descaso dessa indústria que, quanto mais cresce, mais prejudica o próprio planeta - tornando-se um fator decisivo para as mudanças climáticas no globo terrestre.

Ademais, além dos problemas ambientais, o consumo de carne é responsável pelos maus tratos e tortura aos animais. No documentário brasileiro “A carne é fraca”, do Instituto Nina Rosa, foram expostos os diversos tipos de torturas nas indústrias suína, avícola e bovina. A película choca o espectador em diversas cenas, como no caso dos pintinhos sendo triturados vivos por não seguirem o “padrão de qualidade” do frigorífico. Essa situação é inaceitável, todavia, demonstra o quanto, ainda hoje, os animais são vistos como objetos, desprovidos de sentimentos, que devem seguir as vontades do homem e podem ser facilmente descartados no triturador quando preciso.

Portanto, infere-se que medidas exequíveis são necessárias para melhorar essa problemática do consumo de carne na sociedade. Dessarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se, urgentemente, de que o governo federal, em parceria com as ONGs pelos direitos dos animais, fiscalizem os frigoríficos e matadouros, além de estimular o consumo de alimentos veganos. Essas medidas serão implementadas mediante a instalação de fiscais nos abatedouros e, nas escolas, a introdução de cardápios alimentares livres do sofrimento animal, visando a diminuir o sofrimento e o consumo de animais. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo que esse problema causa, e a coletividade chegará mais perto da “Utopia” de More.