O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 13/08/2020
O documentário “Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade”, denuncia os impactos da indústria agropecuária no meio ambiente, escancarando ao telespectador que o consumo de carne auxilia do desmatamento, consumo de água e a poluição da atmosfera. Infelizmente, os dados informados pela obra são verídicos, já que organizações importantes na defesa do meio ambiente, como o Greenpeace, defendem a diminuição de carne na dieta do ser humano. Analogamente, é possível dizer que o consumo de carne prejudica o ecossistema, principalmente pelo desmatamento para que a superfície ocupada pelas pastagens exista, tanto pelo consumo de água no processo de produção do alimento.
Em primeiro lugar, é importante frisar que existe um descompasso que prejudica uma relação saudável entre o consumo de carne feito pelos humanos e a conservação da natureza. Dentre as razões para essa afirmação está o desmatamento de áreas verdes para a criação de pasto para bovinos. De acordo com o site Agência Brasil, somente na Amazônia, 80% do desmatamento é destinado para a criação de gado. Tal fato se sustenta no aumento de aquisição de carne no mundo inteiro. Conforme informações do site El País, em 2015 foram produzidos no mundo 318 bilhões de toneladas de carne. Evidentemente, este contexto colabora para o desgaste de biomas em função da produção de carne.
Ademais, além da desflorestação causada pela criação bovina, a problemática consta com o consumo excessivo de água feito pela indústria pecuária. Segundo Laura Ordóñez, cientista ambiental e professora da Escola Internacional de Naturopatia, a água é um fator limitante para a dieta carnívora, já que que para ter um quilo de carne são consumidos 15,000 litros de água, enquanto para produzir um quilo de milho são necessários somente 1500 litros do líquido. Tais ocorrências tornam a ingestão de carne cada vez menos recomendável, já que é um fator tão prejudicial para a natureza terrestre.
Em suma, os impasses para o consumo de carne atual são seus grandes impactos ambientais, como o desflorestamento de áreas importantes para o meio ambiente e o uso desmedido de água na produção do alimento. Logo, para que a problemática ganhe um fim, medidas precisam ser criadas pelo Ministério do Meio Ambiente, como por exemplo, o incentivo a diminuição do consumo de carne ao menos uma vez por semana nas famílias brasileiras. Tal incentivo teria de ser feito por meio de propagandas de conscientização sobre os malefícios do exagero da carne na dieta do ser humano, essas propagandas devem conter informações didáticas e simples, para que todos os cidadãos, independente de sua escolaridade, conseguissem entender. Dessa maneira, o consumo de carne seria diminuído de forma consciente e saudável.