O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 15/08/2020

As obras literárias da escritora Jane Austen representaram, dentre outros fatores, os hábitos culinários da sociedade inglesa do século XVIII. Fora do espectro fictício e analisando o contexto global, é indiscutível que a carne é um dos alimentos mais consumidos nas dietas em todo o mundo. Diante disso, é necessário discutir as implicações que derivam do processo de produção e consumo de proteínas animais.

Em primeiro lugar, destaca-se a necessidade de discutir os costumes alimentares das sociedades hodiernas, em especial no que tange o assunto da ingesta de bovinos e suínos, por exemplo. Isso se explica pelo fato de que as etapas da cadeia produtiva estão, muitas vezes, relacionadas à exploração e degradação da qualidade de vida de trabalhadores que atuam no ramo frigorífico. De acordo com o documentário brasileiro intitulado “Carne e Osso”, mais da metade das pessoas que buscam auxílio-doença no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) trabalham em empresas de processamento de carnes. Logo, é evidente que quanto maior for o consumo de alimentos de origem animal, mais elevado será o desgaste físico, e consequentemente psicológico, de todos que se empregam nesse setor econômico.

Ademais, o consumo de carne pode facilmente tornar-se prejudicial quando vinculado a formas incorretas de preparo. Isso porque alguns tipos de proteína animal- como a picanha- já possem elevado teor lipídico. Logo, quando preparadas com altas quantidades de sal, podem favorecer o aparecimento de moléstias como obesidade e hipertensão arterial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Desse modo, é imperativo solucionar esse embróglio.

Além disso, percebe-se a frequente associação das carnes com a cultura “fast food” da sociedade moderna. Tal fato foi demonstrado na produção cinematográfica “Super Size Me”, em que se comprova que os alimentos postos à venda por grandes empresas do setor alimentício, muitos deles contendo proteínas animais de significativas taxas calóricas, possuem a capacidade de interferir drasticamente na saúde de indivíduos que as consomem diariamente.

Portanto, é urgente que medidas sejam postas em prática para contornar o problema. Em primeiro plano, é urgente que a Organização Mundial da Saúde, em parcerias com centros comunitários de todo o mundo, distribuam cartilhas e ministrem, por meio de voluntários, palestras sobre a importância de uma dieta balanceada e com o consumo adequado de carnes, a fim de conscientizar e alertar a população. Dessa forma, certamente a perspectiva dos indíviduos em relação à alimentação será mais positiva.