O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 18/08/2020
No Período Neolítico, surgiu o início da criação doméstica de animais para consumo, o que originou no começo do processo agropecuário. Doze milênios depois, tal prática continua a existir, entretanto, de forma mais agressiva, pois, com o aumento do consumo da proteína animal, a indústria pecuária aumentou, em que tais ações afetam o ecossistema do planeta de maneira negativa. Com intuito de inibir tal problemática, é necessário analisar como o consumo excessivo de carne está ligado ao desmatamento de diversas florestas e também o impacto desse hábito alimentar na saúde.
Em primeiro plano, convém pontuar que a maioria da população brasileira consome proteínas derivadas de animais diariamente em sua dieta. Nesse sentido, de acordo com um estudo da revista “Science”, 50 milhões de hectares de florestas foram desmatadas para produção agropecuária, em que ao fim do uso desses locais, eles ficam degradados e abandonados pelas indústrias que ali ficavam. Com isso, fica visível que quanto mais as pessoas consomem carne, maior será a produção da mesma, fator esse que atinge todo a biossistema. Dessa forma, evidencia-se que se têm a existência de uma relação entre o consumismo exacerbado dessas proteínas com a desflorestação.
Outrossim, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o sexto país que mais se consome mantimentos de origem animal. Nessa lógica, milhões de brasileiros possuem tal costume em sua rotina diária como, por exemplo, o uso de carne vermelha durante o almoço e no jantar. Nesse viés, conforme uma pesquisa feita pelo epidemiologista nutricional, Victor Zhong, em sua revista, denominada “JAMA Internal Medicine”, foi constatado que a ingestão exacerbada de carnes industrializadas tornam o indivíduo mais propenso a ter doenças cardiovasculares. Desse modo, consumir uma porção exagerada desses alimentos pode gerar graves problemas de saúde, que podem ser fatais ao organismo humano.
Portanto, conclui-se que o consumo de carne é uma questão social que afeta tanto o ecossistema do planeta como também a saúde de quem a come. É necessário que o Ministério do Meio Ambiente crie políticas públicas que aumentem as restrições para a produção agropecuária no país, e também deve fiscalizar os mesmos locais anualmente para constatar a validação das regras impostas. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com a ONG Greenpeace Brasil, deve promover palestras e comerciais televisivos, nos quais serão apresentados, por profissionais da saúde, malefícios a longo prazo da ingestão exagerada de carne. Protegendo, assim, toda a biogeocenose brasileira e a saúde dos cidadãos.