O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 18/08/2020
Consumo de carne e suas consequências
Desde os primórdios do mundo o homem tem uma estreita relação com o consumo de carne, sobretudo, ligado a sua própria subsistência e sobrevivência. Embora sejam novos tempos, tal costume está enraizado na sociedade, onde somente no Brasil se tem consumo médio de 78,6 kg/ano per capita, ultrapassando aproximadamente 20kg da quantia indicada por especialistas.
A recomendação do consumo de carne vermelha na literatura tem grande variedade. Por exemplo, o COMA (Committee on Medical Aspects of Food Policy, 1991) recomenda um consumo máximo de 140 g/dia, enquanto que para o WCRF (World Cancer Research Fund, 1997) o consumo não deveria ultrapassar 71 g/dia. De qualquer forma, o que sabemos com certeza é que o excesso de consumo e produção de carnes é prejudicial para a saúde e para o meio ambiente.
Atualmente, a produção de carne emite a mesma quantidade de gases causadores do Efeito Estufa de que todos os carros, caminhões, navios e aviões do mundo juntos. No Brasil, além das emissões, a produção pecuária está diretamente ligada a retirada de direitos de trabalhadores, povos indígenas e comunidades pressionadas pela expansão da fronteira de produção agropecuária. Dessa forma, se não forem controladas, as emissões da indústria de proteína animal podem comprometer a meta internacional de não exceder os 1,5º Celsius de aumento na temperatura média global até o final do século.
Portanto, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Greenpeace, é necessário que ocorra uma diminuição de 50% no consumo de carne e derivados até 2050. A mudança deve começar no consumo individual, porém, a maior responsabilidade está sobre os grandes produtores, em assumirem o compromisso com uma produção menos impactante ao meio ambiente e uma relação mais honesta e transparente com seus consumidores.