O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 18/08/2020
Desde os primórdios da humanidade, quase 3 milhões de anos atrás, existe o consumo de carne vermelha, inicialmente com a caça e a pecuária no começo de seu desenvolvimento. Com o passar do tempo, os métodos de produção e consumo evoluíram, com grandes criações de gado e a aplicação de novas tecnologias. Entretanto, as mudanças feitas entre os séculos XX e XXI advindas do grande avanço tecnológico e crescimento populacional não trouxeram apenas benefícios. Com o objetivo de suprir os hábitos consumistas da população, se tornaram necessárias as produções em larga escala, que são nocivas para o meio ambiente e trazem preocupações sobre o futuro.
Primeiramente, deve-se ter esclarecido as dimensões da produção e consumo de carne. A criação de gado ocupa grande porcentagem das terras e plantações mundialmente, em que, de acordo com estudos de J. Poore e T. Nemecek divulgados pela Science, pouco mais de 80% das plantações são utilizados para a atividade pecuária. Além disso, de acordo com dados da BBC, o consumo mundial de carne ultrapassou a marca de 330 milhões de toneladas em 2017, com países como Brasil e Estados Unidos com consumo que ultrapassa os 75kg de consumo médio anual por pessoa.
Consequentemente, problemas surgem devido a essa produção em larga escala de carne. O principal desses problemas é o grande desperdício de recursos na criação dos animais, que poderiam ser aproveitados para consumo humano. De acordo com estudos divulgados pela IOPscience, por volta de 4 bilhões de pessoas poderiam ser alimentadas com os recursos utilizados para o sustento do gado, o que tornaria o uso das plantações e outros recursos mais rentável.
Portanto, conclui-se que é necessário que atitudes sejam tomadas pelas pessoas, a fim de evitar problemas com o desperdício de recursos. A população deve, através das redes sociais, incentivar a diminuição do consumo de carne, com campanhas e apoio a ONGs voltadas a esse assunto. Ademais, cabe ao Governo, através do Ministério do Meio Ambiente, tomar atitudes restritivas em relação à agropecuária, como a aprovação de leis que limitam a quantidade de animais em uma produção, para impedir fenômenos prejudiciais como o desperdício de recursos e o crescimento desenfreado da criação de animais.