O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 18/08/2020

Comer carne deixa rastros. Concretamente, na forma de impactos ambientais. O relatório publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) esta semana, que ligava o consumo excessivo de carne com um maior risco de contrair o câncer, além de incomodar a indústria da carne, colocou os holofotes sobre um problema dissimulado. “O consumo excessivo de carne não só afeta a saúde das pessoas como também prejudica o meio ambiente”, resume o professor de nutrição Lluís Serra-Najem, da Universidade de Las Palmas, nas Ilhas Canárias.

Além da necessidade de elaborar tecnologias mais sustentáveis, os pesquisadores estão convencidos de que precisaremos de firmes mudanças individuais. Aumentar o consumo de grãos, oleaginosas e sementes será essencial além de reduzir consideravelmente o consumo de proteína animal.

Diante disso, os pesquisadores concluem que uma solução única não evitará os perigos, portanto, é necessária uma abordagem combinada. “Quando as soluções são implementadas em conjunto, nossa pesquisa indica que pode ser possível alimentar a população de forma sustentável”, aponta o principal autor do estudo, Marco Springmann, da Universidade de Oxford.

O estudo ressalta que o uso excessivo de nitrogênio e fósforo no sistema de produção alimentar impulsiona mudanças climáticas, poluiição e esgota a água doce. Diante disso, os autores analisaram o que chamaram de “dieta flexitária”: “Podemos optar por uma variedade de dietas saudáveis, mas o que todas elas têm em comum, segundo as evidências científicas recentes, é que elas são relativamente vegetais”, disse Springmann.

Se o mundo adotasse esse tipo de dieta, o estudo aponta que as emissões de gases de efeito estufa provenientes da agricultura seriam reduzidas em mais da metade.