O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 26/08/2020
O filme a fuga das galinhas é uma divertida animação, mas por trás do enredo se vê uma metáfora para o confinamento e subordinação dos animais ao consumo humano. Nesse viés, nota-se que o consumo de carne na atual sociedade se sobrepôs ao hábito alimentar e se tornou um símbolo de dominação da natureza, em sua fauna e flora, pelo ser humano. Assim, necessita-se debater a degradação do meio ambiente e dos animais gerada pela indústria da carne e a inserção da carne e normalização dos seus malefícios no meio produtivo, na cultura brasileira.
O filósofo australiano Peter Singer afirma em suas obras que é preciso haver uma postura ética entre seres humanos e o meio ambiente em que vive e os animais. Entretanto, os hábitos alimentares no Brasil vão contra tal postura ética ao destruir o meio ambiente com a criação de animais para consumo. Dessa forma, o desmatamento e a contaminação da água são frutos da indústria da carne que confina animais em situações degradantes. Além disso, o marketing destrói a ética do humano com a natureza e transforma os animais em produtos, construindo uma marca, o que sustenta tal cenário de consumo acrítico. Assim, nota-se que a postura ética é corrompida pelo distanciamento do homem da natureza, causadas pela industrialização, necessitando de mudanças.
Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, habitus são os princípios que o indivíduo recebe do meio social a qual está inserido e que orientam a construção de sua individualidade. Nesse sentido, o hábito alimentar de consumir carne é um gosto coletivo brasileiro, o que o torna parte da cultura. Dessa forma, o hábito de consumo de carne é normalizado, o que leva a uma ignorância da sociedade frente a fome gerada por essa indústria em virtude da concentração de riquezas que ela gera. Além disso, a carne é considerada um sinônimo de status quo, o que fomentou seu consumo à medida que a sociedade aumentou seu poder aquisitivo. Logo, o consumo de carne é uma construção cultural brasileira, feita de forma exacerbada, o que não fomenta os hábitos alimentares agroecológicos que poderiam reduzir os impactos naturais e sociais que a indústria da carne gera.
Portanto, nota-se que a degradação ambiental e a naturalização desse hábito alimentar na cultura brasileira são questões sociais que devem ser resolvidas. É necessário que o Ministério da Educação promova propagandas na mídia que divulguem a produção de carne, a fim de haver uma conscientização das pessoas para que tenham conhecimento dos processos produtivos. Assim como o Poder Público deve incentivar uma economia holística, por meio de investimentos para a pequena produção, a fim de que se reduza o consumo de carne devido ao incentivo à hábitos agroecológicos. Assim, se poderá mudar o cenário visto na realidade e na animação “fuga das galinhas”.