O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 23/08/2020
No século XX, a Revolução Verde trouxe inúmeras inovações no campo da técnica e da tecnologia na produção mundial de gêneros alimentícios e na criação de gado, o que aumentou a demanda mundial por esses artigos. Consequentemente, na contemporaneidade, a necessidade do suprimento global de carne, advinda da maior adesão a esse hábito alimentar, gera questões problemáticas para o ambiente. Esses óbices estão relacionados ao aumento da poluição do ar por gases estufa e à exigência de recursos hídricos para a produção.
A princípio, é imprescindível mencionar que o exorbitante incremento na emissão de gases poluentes é efeito direto dessa prática. Nesse cenário, vale destacar o Relatório Brundtland, um documento oficial que versou sobre a urgente necessidade da prática do desenvolvimento sustentável. Sob essa perspectiva, nota-se que, na atualidade, as nações no globo não seguem a ação preconizada pelo relatório, vide o aumento da presença de carbono e metano na atmosfera, ocasionado, em grande parte, pela ação dos organismos ruminantes - animais usados para o corte- que liberam esses poluentes como resíduos de sua alimentação.
Ademais, cabe salientar que essa elaboração de artigos vindos da produção de carne consome um grande volume de recursos naturais. Nessa perspectiva, a pegada hídrica é um conceito da Geografia que se refere à quantidade de água despendida para a criação de algum produto. Nesse contexto, percebe-se, a partir dos dados relativos à pegada hídrica mundial da carne, que um grande volume de água é requerido para a produção de uma quilograma daquele insumo,o que impossibilita ,por exemplo, a distribuição desse recurso para indivíduos mais carentes desses produtos essenciais.
Portanto, assiste ao Ministério do Meio Ambiente - por ser o órgão governamental mais competente a cuidar de questões dessa magnitude - realizar reformas no agronegócio brasileiro, principalmente no que compete à criação de gado. Para isso, devem ser estabelecidos limites que regulam a expansão dessa atividade, por meio de projetos de lei a serem aprovados pela Câmara dos Deputados, a fim de reduzir as problemáticas oriundas do hábito do consumo e da produção da carne, como o aumento da emissão de gases estufa e do uso de recursos hídricos.