O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 22/08/2020
No episódio ‘‘O futuro da carne’’ na série Explicando, é retratado como o consumo da carne foi se popularizando desde os primórdios, além das novas tecnologias para a fabricação de ‘‘carnes veganas’’, ou seja, à base vegetal. Analogicamente, é fato que o consumo da carne na atualidade se tornou um meio de interação social e aproximação entre as pessoas. Assim, cabe analisar como a popularização desse consumo nas refeições pode ditar uma parcela da desigualdade socioeconômica, assim como, o impacto desse consumo exacerbado na saúde.
Primordialmente, é válido salientar como o consumo da carne reflete a desigualdade, pois com as inúmeras alavancadas que o preço desse alimento tão requisitado sofre, nem todos conseguem pagar por ele. Logo, os indivíduos com menos privilégios e que são sujeitos a baixas rendas mensais, principalmente moradores de zonas rurais, não conseguem comprar a carne, sendo esse um alimento de grande fonte de proteína, logo, essencial. Com isso, acabam abatendo o animal de forma autônoma em sua própria área rural, o que pode ser perigoso pelo não conhecimento de possíveis doenças no organismo animal ou a procedência incorreta do preparo ou abate.
Ademais, é imperioso ressaltar como a carne está relacionada com a saúde dos indivíduos, pois o consumo da carne industrializada aumentou exponencialmente desde 1950. Segundo o site de notícias Brasilagro, essa produção no Brasil aumentou 1,7% em 2019 e a exportação da mesma subiu 8%. Tal dado revela como os brasileiros e pessoas mundo afora estão inseridos em tendências alimentares cada vez menos saudáveis, se direcionando ao sedentarismo. Um aspecto que também contribui para isso é o serviço fast food, já que boa parte da carne produzida se direciona a essas indústrias e vários adicionais gordurosos são postos nesse tipo de alimento para maior sabor.
Logo, faz-se necessário a atuação de ONGs apoiadoras da causa para a promoção de medidas que interfiram no abate e venda de animais além do preço cobrado, por meio do pressionamento ao Governo Federal para considerar mudanças propostas pelas mesmas, a fim de reduzir essa cultura e diminuir a desigualdade presente nesse aspecto. Além disso, cabe ao Vigilância Sanitária tratar com rigorosidade os procedimentos usados nos alimentos, principalmente em estabelecimentos comerciais, assim como visitas mais frequentes, por meio da regulamentação de visitas nesses estabelecimentos, as quais possam acontecer com mais frequência, a fim de reduzir os impactos e trazer a tona essas questões do consumo da carne na saúde. Dessa forma, será possível ter um mundo mais saudável e humanitário.