O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 22/08/2020
O impacto ambiental causado pela produção de carne é tão drástico que foi apontado em 2018 como um concorrente da emissão de gases estufa dos setores de transporte rodoviário, aéreo e espacial juntos. Em paralelo a isso, o empreendedor e ganhador da maior condecoração ambiental da ONU (Campeões da Terra), Patrick O’Reilly, explica que o prejuízo vai mais além: as empresas agropecuárias desmatam biomas e consomem água quase tanto quanto afetam nossa atmosfera.
Noutro panorama, também vem se observado que carnes vermelhas processadas são carcinogênicas, e podem gerar quadros de obesidade, cardiomiopatias e problemas no fígado quando ingeridas regularmente devido ao seu alto nível de colesterol, ferro e gorduras (informações distribuídas pela OMS). Por tanto, não é apenas de interesse social e ambiental que haja redução no consumo de carne da população, também abrange a esfera pessoal do cidadão.
Com o passar do tempo vem surgindo fontes mais completas dos motivos pelos quais valeriam apena alguma mudança nos hábitos alimentares, como o livro Comendo o Planeta, o qual explica a ineficiência dos processos da produção de carne, em suma, há uma perda descomunal de proteínas, espaço, água e outros nutrientes na criação das carnes, e implicaria também num custo maior se não fosse pelas décadas de aprimoramento tecnológico e logístico.
Pensando no futuro, Patrick chegou a conclusão que não adianta implorar para os consumidores mudarem seus hábitos, pois carne é indubitavelmente muito gostosa, ele então diz que para mudarmos algo é necessário criar algo mais gostoso do que a carne. E ele fez, é chamada de Beyond Meat, que promete reduzir em mais de 90% o consumo de água e espaço e em quase 50% o de energia para produzir carne usando plantas sintetizantes de carne. Um teste realizado em micro escala revelou que oitenta por cento prefere a Beyond Meat, não sentindo diferença entre os produtos vegetal e animal.
Muitos investidores apostam alto nessa tecnologia, e projeta-se uma mudança de 100% do mercado produtor de carne até 2035. Em suma, ele produziu algo mais gostoso que vai resolver os gastos excessivos de recursos e agradar qualquer religião, paladar ou mercado consumidor