O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 23/08/2020
O conto “A terceira margem do rio”, do autor brasileiro Guimarães Rosa apresenta a história de um pai que vai sozinho para o meio de um rio, utilizando-se de uma canoa, enquanto seu filho fica na margem insistindo pela troca de posições entre os dois, até que o pai aceita, mas o outro desiste ao reavaliar as dificuldades. A isso se assemelha as pessoas que querem parar de consumir carne animal, todavia, ao pensar nas adversidades, acabam abandonando a ideia. Isso se deve ao padrão alimentar brasileiro e à falta de conhecimento das pessoas em relação aos prejuízos causados pela criação animal.
A princípio, com a cultura de comer carne em todas as refeições e ao costume de se realizar frequentes churrascos, é difícil mudar esses padrões de forma isolada. De acordo com dados de uma pesquisa realizada pela Fundação Heinrich Boell em parceria com a ONG “Friends of the Earth”, o Brasil produziu cerca de 26 milhões de toneladas de carne em 2012. Esse fato comprova o quão dependente de carne é o padrão alimentar dos brasileiros, justificando a dificuldade das pessoas para assumirem o vegetarianismo ou o veganismo.
Ademais, a falta de informações a respeito dos problemas causados pelo consumo de carne acaba incentivando o consumo da mesma. Ao utilizar o pensamento do filósofo Grego Pitágoras de que é necessário educar as crianças para não precisar castigar os homens, nota-se que a próxima geração será punida pela escassez de conhecimento sobre a criação de animais destinados ao consumo alimentar. Isso, se não for mudado imediatamente tende a causar diversos problemas ambientais que se agravarão com o aumento populacional.
Sendo assim, fazem-se necessárias ações governamentais que influenciem na mudança de hábitos alimentares entre os brasileiros. Em primeiro plano, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de um acordo com as faculdades de nutrição, ofertar nutricionistas que indiquem o vegetarianismo, ou ainda o veganismo, mostrando seus benefícios e o seu preço mais baixo em relação às carnes, de maneira gratuita em todas as cidades do país, para que assim, consiga-se mudar o padrão alimentar brasileiro. Além disso, é função do Ministério do Meio Ambiente, por meio da rede nacional de televisão, alertar sobre os malefícios do consumo de carne ao planeta e mostrar como os animais são tratados, para que assim, as pessoas tenham conhecimento e se sintam motivadas a adotar novas práticas alimentares. Se tudo isso for feito, então o conto “A terceira margem do rio” deixará de ser uma associação ao consumo de carne e voltará a ser apenas mais uma narrativa.