O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 16/11/2020
Apesar do consumo de carne ser algo praticado pelos ameríndios antes da chegada portuguesa no Brasil, esse hábito só foi consolidado na região durante o processo de colonização após o estabelecimento de animais criados para abate. Desde então, esse elemento protagonizou o cenário alimentar e econômico no país e, por isso, convém analisar o consumo de carne como questão social da atualidade.
No primeiro momento, vale destacar que o acesso a esse alimento foi associado ao poder aquisitivo do cidadão brasileiro. Com a vinda da Coroa Portuguesa no século XIX para a, então, nova capital no Rio de Janeiro, a culinária da região foi guiada pela influência europeia que destacou essa proteína como algo aristocrático que segregava a população pelo seu alto valor financeiro. Dessa forma, o consumo de carne tornou-se um processo de ascenção social no imaginário brasileiro que dificulta a implementação de formas alimentares alternativas.
Somado a isso, cabe ressaltar que a produção em massa de derivados de animais desequilibra a pegada ecológica no meio ambiente. Fatores como desmatamento e queimadas na Amazônia, elevado consumo de água doce e compactação do solo na região sul do país, são problemas intensificados pela agropecuária que, por sua vez, é sustentada pelo elevado consumo desses produtos. Sendo assim, é perceptível que o mau uso dos recursos naturais é permeado pela dependência desse alimento e coloca em risco o bem-estar das gerações futuras.
Portanto, frente a problemática cabe ao Governo Federal fomentar a ampliação do cardápio do cidadão brasileiro por meio de um plano estratégico que valorize alimentos regionais de cada estado. O projeto seria composto por cursos de culinária alternativa e aproveitamento de insumos, apelo publicitário para que haja participação pública além de festivais e eventos culturais que associem a alimentação equilibrada às atividades de recreação. Essa medida teria como finalidade reajustar aspectos colonizadores que não se aplicam plenamente ao cenário nacional para benefício comum.