O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 23/08/2020
Consoante o sociólogo alemão Dahrendorf no livro “A lei e a ordem”, a anomia é uma condição social onde as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade. De maneira análoga, a anomia assemelha-se ao atual cenário brasileiro, à medida que o mercado produtor e consumidor de carne animal não seguem as normas de segurança e higienização estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Portanto, é notório que o instável sistema de produção de carne impede o abate humanizado e, logo, impossibilita as condições para o consumo de carne de qualidade e segura.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que a ingestão diária de carne se tornou um fator cultural, sendo que é considerada o principal alimento das mesas das famílias brasileiras, bem, como, proporciona muitos nutrientes. Nesse sentido, a crescente produção de carne, sobretudo a bovina, favorece o aumento do desmatamento para a formação de pasto e, por consequência, a eliminação de CO2 e CH4 na atmosfera, de acordo a Organização das Nações Unidas, no Brasil, a pecuária é responsável por 60% do desmatamento da floresta amazônica. Mas, é responsabilidade do Ministério da Agropecuária estimular o desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas agropecuárias. Dessa forma, é necessário a aplicação sustentável na obtenção da carne para o consumo.
Em segundo plano, a Constituição de 1988, veda à prática de maus tratos aos animais. No entanto, muitos matadouros brasileiros não apresentam infraestrutura e higienização adequada, conforme o jornal G1, 50% dos matadouros são clandestinos, de forma que os animais permanecem em cercados pequenos, sem comida e uns sobre os outros, aguardando o abate, como, também são mortos por pauladas ou marteladas, de modo que as carnes obtidas são propícias para a instalação de microrganismos. Porém, é competência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária realizar ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde. Dessarte, é fundamental fiscalizações sanitárias mais rígidas para mitigar esses problemas.
Infere-se, então, que o aumento no consumo da carne proporciona aumento dos desmatamentos. Desse modo, é imperiosa a ação do Ministério da Agropecuária, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que devem promover políticas públicas para adequação e resolução da produção de carne, por meio do uso da pastagem ecológica, para manter os bosques nativos e conservar o solo, além disso, instalar abates humanizados, de forma a garantir o bem-estar dos animais desde o embarque na propriedade rural até a operação de sangria e, por conseguinte, resultar em carne de qualidade e segura.