O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 25/08/2020

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora ao consumo de carne como questão social, uma vez que, por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os esforços destinados para resolvê-la. Dito isso, vale destacar as causa e consequências dessa problemática, que estão relacionadas à atuação do sistema capitalista aliada aos danos ao meio ambiente.

A princípio, é necessário pontuar que, em função da “Indústria Cultural” e dos hábitos mundiais, a sociedade tende a normalizar o consumo excessivo de carne na refeição. Isso porque, consoante aos sociólogos Adorno e Horkheimer, estudiosos da escola de Frankfurt, a “Cultura de Massa” objetiva, por intermédio de métodos coercitivos, potencializar o sujeito a consumir determinados produtos, em busca de fomentar o lucro, situação essa que se reflete na naturalização da ingestão de carnes nas propagandas. Entretanto, poucos indivíduos sabem dos processos desumanos que existem nas indústrias, as quais submetem os animais a condições insalubres, pois não há uma fomentação desses acontecimentos.

Nesse sentido, devido a ausência de compreensão, a produção do setor de carnes cresce exponencialmente e causa diversos danos ambientais. Segundo o sociólogo e ambientalista Hans Alois, o sistema capitalista tem, desde sua origem, a apropriação da natureza como meio para obter renda, negligenciando os efeitos que vai gerar no meio ambiente. Destarte, a tese do pensador vai ao encontro dos casos, no Brasil, de destruição e desmatamento da floresta Amazônica, visto que a fronteira da pecuária - gado - se expande cada vez mais, ultrapassando as reservas de proteção ambiental, conforme dados do Instituto Greenspace e da área Geográfica Brasileira. Logo, infere-se que é fulcral a mudança da realidade mencionada, com intuito de solicitar as consequências retratadas.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para atenuar o quadro atual. Urge, que o Ministério da Educação crie, em consonância com as Secretarias Municipais, uma nova matéria de cunho nutricional e ambiental, por meio do aumento da verba destinada à educação, desde o ciclo básico, ratificando os métodos alternativos de alimentação e revelando as problemáticas relacionadas à indústria de carnes a fim de que as novas gerações da ao consumo de outros alimentos substituem comercialização extensiva de aves e gatos e desenvolvam consciência dos danos causados pela vigente conjuntura. Isso pode ser efetuado mediante a elaboração de um curso pedagógico oferecido pelo governo para profissionais formados na área de nutrição ecológicas quais lecionaram para os estudantes. Somente assim, será progredir os hábitos sociais e dar um fim a esse escândalo.