O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 24/08/2020

A tradição do consumo de carne tem raízes que se encontram em séculos anteriores, desde então o homem passou a “incrementar” seu cardápio, acreditando ser essencial para suprir suas necessidades nutricionais. Nesse contexto, o número de indivíduos que consomem diariamente carne apresenta um aumento expressivo, alinhado ao crescimento populacional no globo. A partir disso, a ingestão desenfreada desse alimento por uma população que ultrapassa 7 bilhões de pessoas sugere novas medidas de proteção ao meio ambiente e desmistificação sobre seu valor nutricional para que possíveis substituições sejam feitas.

Em uma primeira análise, é de conhecimento geral o crescimento vertiginoso da população, que acarreta aumento na criação de animais para o abate, seguido pela necessidade de espaço. Segundo a Organização das Nações Unidas(ONU), o setor de pecuária é responsável por 15% das emissões de gás carbônico na atmosfera e o percentual cresce constantemente. Com isso, percebe-se o impacto ambiental causado pelo processo de desmatamento para o aumento das áreas de pecuária que degradam e prejudicam o meio ambiente, tornando evidente a necessidade de diminuição de consumo.

Paralelo a isso, o debate sobre a adequação dos hábitos alimentares sem a carne, tendo em vista o cenário atual, é um desafio a ser enfrentado devido à ideia do senso comum de que esse consumo é universal e necessário ao indivíduo. É lícito referenciar o filósofo Hans Jonas, o qual afirma que a consciência e responsabilização da população em relação a geração futura faz com que os indivíduos se preocupem e norteiem suas ações para o bem do futuro. Contanto, esse compromisso com as próximas vidas envolve a mobilização das pessoas a fim de avaliar alternativas para substituir a carne, diminuindo a ingestão e favorecendo a boa qualidade de vida de seus descendentes.

Em síntese, o aumento do consumo de carne implica danos irreversíveis ao meio ambiente, e com isso faz-se necessária a atualização dos hábitos alimentares da população a fim de conter o sistema de produção. Desse modo, cabe ao Ministério do Meio Ambiente promover campanhas publicitárias que apresentem à população maneiras de substituir os alimentos de origem a animal, mantendo ou elevando os ganhos nutricionais. Com isso, espera-se diminuição da demanda de carne no mercado, para que assim a criação de gado seja controlável e menos prejudicial ao meio ambiente. Por fim, espera-se reverter a atual situação desse consumo e assim preservar o mundo para as próximas gerações.