O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 24/08/2020
Desde os primórdios da humanidade, o consumo de carne sempre foi muito presente na alimentação diária de uma sociedade a fim de suprir as necessidades metabólicas do organismo. Mesmo antes da chegada dos europeus ao Brasil, já era evidente o consumo de carne de caça entre os indígenas. A vinda dos europeus trouxe a criação de animais para o abate, com destaque para o gado, e a valorização desse ingrediente nas refeições. No entanto, o consumo de carnes afeta negativamente a saúde da população, fato que está incentivando o aumento do veganismo e vegetarianismo no Brasil, além de financiar a pecuária que incentiva o desmatamento do planeta.
Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a pecuária é a responsável por aproximadamente 60% do desmatamento da Amazônia e de grande parte da emissão de gases para a atmosfera. O senso comum é o que faz com que grande parte da população considere a carne como a única fonte de proteína adequada para uma boa alimentação, alegando a desnutrição e anemia como justificativas para o consumo. Por conseguinte, essas mesmas pessoas continuam contribuindo para o abate de bilhões de galinhas, porcos e vacas. Portanto, é notório que a redução no consumo de carne salvaria a vida de inúmeros animais e facilitaria a preservação ambiental.
Ademais, vale destacar que alimentos de origem animal possuem uma grande quantidade de gorduras maléficas à saúde, o que provoca um aumento na incidência de casos de câncer e de doenças coronarianas. Também é importante ressaltar que a propaganda para o alimento vegano e vegetariano é precária, fazendo com que muitas pessoas nem saibam da existência de alternativas, por isso que muitos produtos que não são de origem animal possuem um preço inacessível aos brasileiros. Dessa forma, o consumo desse tipo de alimentação fica restrito às camadas da sociedade com grande poder aquisitivo. Nessa ótica, torna-se evidente uma desigualdade no acesso de alimentos saudáveis no país, sendo a população rica detentora desse poder de compra. Nesse sentido, é imprescindível que medidas sejam tomadas para atenuar essa problemática.
À vista dos fatos analisados, torna-se fundamental que o Ministério da Saúde promova campanhas publicitárias na televisão, nas escolas e nas redes sociais, por meio de comerciais que demonstrem as vantagens no consumo de alimentos não provenientes de animais, buscando alertar a população sobre os agravos à saúde e os efeitos ambientais negativos causados no planeta. Em adição, o Poder Legislativo deve reduzir os preços desses alimentos, por meio da criação de leis que reduzam o valor dos impostos sobre tais produtos. Espera-se, com essas medidas, diminuir o número de carnívoros no país, além de evitar o aumento do desmatamento das florestas do Brasil e do mundo.
aumento de desmatamento da florestas de todo o planeta.