O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 29/08/2020

Segundo a Organização para Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o consumo mundial de carne aumenta de forma significativa nos últimos anos, - sobre tal reflexo, em 2019, o Brasil se tornou o maior exportador de carne bovina. Contudo, apesar do progresso econômico, sabe-se que a pecuária é uma das principais atividades responsáveis pelo avanço do desmatamento. Sendo assim, discutir hábitos alimentares e o consumo de carne pela sociedade é de suma importância  para entender os impactos desse padrão cultural.

A princípio, cabe destacar que o setor alimentício é responsável por grande parte dos danos socioambientais. Em sua obra, " Libertação Animal", o professor e ativista pelo direitos dos animais Peter Singer, argumenta que -" a indústria da carne é responsável por mais dor e miséria do que todas as guerras juntas". Sob essa perspectiva, não é preciso ir muito além, no contexto atual, para notar os efeitos ocasionados pela intervenção antrópica nos ecossistemas, - em 2019, a Austrália sofreu com graves incêndios florestais, agravados pelo processo de desmatamento; às perdas humanas e animais foram imensuráveis.

Ademais, a falta de consciência crítica dos consumidores impulsiona não só danos ambientais, mas também riscos à saúde humana. De acordo com a nutricionista Bela Gill, o excesso de carne na dieta humana, pode desencadear doenças cardíacas, como infarto e acidente vascular cerebral. Dessarte, fica evidente que uma redução no consumo da proteína proporcionaria ao sujeito uma maior qualidade de vida, ao evitar o desenvolvimento de doenças graves.

Logo, fica evidente que o exagero no consumo de carne contribui com efeitos danosos para o meio ambiente e saúde humana. Em função disso, é papel do Ministério do Meio Ambiente promover campanhas de proteção aos ecossistemas ambientais, por meio da fiscalização por agentes da área. No mais, cabe também ao Ministério da Agricultura, estipular uma política de cotas por área desmatada pela atividade agropecuária, de forma a conscientizar a indústria a desenvolver uma agricultura mais sustentável e menos danosa ao meio ambiente. Por fim, é útil a ação de ONGS e da iniciativa privada, promover nas mídias socais, debates sobre o consumo consciente de carne, afim de conscientizar a população sobre o tema. Com isso, espera-se desenvolver uma sociedade mais autossustentável que preserve seus recursos naturais e adeque da melhor forma seus hábitos alimentares.