O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 28/08/2020
Com o advento das Revoluções Industriais, a produção em massa e o fortalecimento do capitalismo aliado às mídias e propagandas, houve uma mudança na forma como o homem interage com o meio, aumentando o consumo de produtos e, consequentemente, os impactos ambientais. No tocante a esse aspecto, a crescente demanda pela carne deve ser motivo de grande atenção. A produção de carne é responsável por uma considerável porcentagem da emissão de gases poluentes na atmosfera, além de ter relação direta com o desmatamento e com a contaminação do solo e das águas. Por isso, é imprescindível uma maior conscientização da população perante às reais necessidades, e compromisso dos produtores com a redução dos impactos ambientais e relação mais honesta e transparente com os consumidores. Em primeiro plano, é oportuno ressaltar que o desmatamento gerado para manter a pecuária e a agricultura em larga escala, colabora para a perda de florestas muito importantes, como a Floresta Amazônica. Como se não bastasse esse problema, muitas dessas terras são, ainda, desmatadas ilegalmente, conforme expõe o site de notíciais ambientais, Mongabay. Concordante à matéria veiculada, os produtores encontram diversas formas de “burlar” a lei e atingir áreas de proibidas, como o uso de registros falsos ou a transferência de gados de um pasto ilegal para um legal antes de serem enviados aos abatedouros. Tudo isso para atender à alta procura da carne dentro do Brasil e fora dele, obtendo lucro, mas destruindo algo precioso: a natureza. Paralelamente, faz-se necessário mencionar que a escassez de discussões sobre hábitos alimentares tem impulsionado a permanência do consumo desenfreado da carne e transformado a questão em um aspecto social grave. É indubitável que pouco se debate acerca desse assunto em salas de aula ou em meios de comunicação, como canais de televisão e mídias sociais. Se dados e pesquisas que exibem a gravidade dessa pauta fossem amplamente disseminados, certamente essa adversidade seria atenuada. É, portanto, de fundamental importância receber maior destaque, chegando ao conhecimento do maior número possível de pessoas. Assim, poderão agir de tal forma que suas ações sejam consideradas universais, tal qual idealizava o filósofo da antiguidade Immanuel Kant. Tendo em vista a relevância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual, urge que o Ministério da Educação (MEC) insira nas escolas, através da Base Nacional Comum Curricular, a educação ambiental e alimentar como disciplinas obrigatórias em todo o ensino básico. Ademais, cabe ao Ministério do Meio ambiente impulsionar as fiscalizações sobre as áreas de preservação ambiental, por meio de vigilâncias mais frequentes, e promover incentivos fiscais aos pecuaristas obedientes à lei. Dessa forma, será conquistado o equilíbrio entre alimentação e sustentabilidade.