O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 29/08/2020
Nestes últimos séculos, a população mundial absoluta cresceu de forma notória, fazendo com que a demanda de alimento e serviços se torne uma das problemáticas da contemporaneidade. Além disso, com a globalização e maior facilidade ao ensino, houve um grande aumento de indivíduos na classe média e alta. Com isso, itens que tinham pouco valor agregado como a carne, passaram a ser sinônimo de ostentação e culturas como churrasco e fast-food ganharam espaço no âmbito global. Entretanto, a grande demanda desse produto tem causado sérios problemas no meio ambiente e na saúde do público.
A Floresta Amazônica é uma grande afetada por essa cultura, pois, conforme o Greenpeace, cerca de 60% do desmatamento atual da Amazônia é para gerar novas terras para pecuária e plantio de soja, que serve de ração para o gado. Ademais, a soja é uma grande inimiga do solo brasileiro, visto que, para seu crescimento, retira muitos nutrientes da terra e a torna deficiente, desse modo, inviabiliza novos plantios na área e se faz necessário novos desmatamentos para criar áreas de produção. Outrossim, conforme dados do Ministério do Meio Ambiente, a água utilizada na irrigação da soja e a água destinada aos animais de abate somam mais de 50% do consumo total de água no brasil, enquanto a demanda urbana, para onde são voltadas as campanhas de conscientização, não passa de 9%. Neste contexto, fica nítido a importância de novos hábitos alimentares para salvar o meio ambiente, em especial a Amazônia, que é lar de milhares de especies animais e vegetais cruciais para a fauna brasileira, algumas já em risco de extinção.
Por outro lado, em virtude da alta procura desse alimento, uma elevada população animal fica amontoada em pequenos locais, facilitando a proliferação de vírus e bactérias e compactuando com o mal-estar grupal. Por isso, o consumo de carne também tem sido um fator de risco a saúde pública, afinal nas últimas décadas, grandes epidemias como: gripe aviária, gripe suína e a doença da vaca louca, iniciaram-se com a ingestão ou criação inadequada dos animais. Logo, é nítido a necessidade de um novo método de criação mais humanizado e se importando com os seres presentes, porém para isso é imprescindível a diminuição do consumo de carne.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde junto com a mídia nacional, conscientizar a população, por meio de campanhas, pesquisas e noticiários, da relevância da diminuição do consumo de carne, tanto para o bem geral e individual como o do meio ambiente. Cabe também ao Legislativo, a criação de leis para o maior controle de qualidade sobre a produção e abate animal a fim de controlar novas doenças, além de uma maior taxação sobre a água usada por grandes consumidores, evitando o seu desperdício.