O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 12/09/2020

Com os avanços tecnológicos, no século XX, a ciência moderna permitiu a criação animal e produção de carne, de maneira veloz e eficiente. Entretanto, os limites nas fabricações alimentícias estão sendo atingidos, de modo a afetar os elementos da natureza e aumentar a emissão de gases poluentes. Dentro dessa lógica, há a necessidade de uma discussão acerca dos hábitos alimentares com o consumo desenfreado da carne, que se perpetua pela expansão do agronegócio, bem como por barreiras encontradas na acessibilidade das dietas sem consumo animal.

Em primeiro lugar, é preciso pontuar a expansão da agropecuária como principal ponto para debate. É notório que, com o domínio do homem sobre o espaço geográfico, as práticas de caça e domesticação dos animais tornaram-se mais aperfeiçoadas. Partindo desse pressuposto, a modernização possibilitou o conhecimento amplo, no qual é possível incrementar à dieta do animal, antibióticos e remédios hormonais de crescimento para aumentar o tamanho da carne e acelerar a reprodução, visando maximizar o lucro. Porém, com essa ampliação, o Brasil, principalmente, destrói e desmata florestas primárias, ocasionando menos biodiversidade nessas regiões. Pois, segundo pesquisas, 70% do desmatamento na Amazônia é causado pelo avanço da pecuária, dessa maneira, é de fulcral importância maior gestão de consequências.

Sob esse prisma, o desconhecimento de hábitos alimentares, faz com que ainda exista resistência na mudança. Pois, é lícito ressaltar razões culturais da carne na vida do homem, como o prazer e transformações corporais na ingestão de proteínas e nutrientes. Assim, práticas veganas e vegetarianas causam estranhamento, pois não é comum a veiculação nos meios de comunicação, no que tange ao consumo de dieta balanceada sem carne. Em contrapartida, propagandas como “Friboi” e “Sadia” ganham destaque para estimular ao consumo. Dessa forma, é necessário disseminar a mudança no hábito alimentar, pois consoante a Steve Jobs, o interesse só surge quando apresentado, ou seja, alternativas alimentares para substituir o consumo e reduzir os danos causados devem ser propagadas.

Portanto, urge ao Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, criar um programa televiso, intitulado como “Minha vida sem carne” o qual mostraria a rotina de adeptos ao vegetarianismo e veganismo. Isso ocorrerá por meio de reportagens com relatos desses indivíduos e receitas de baixo custo para os telespectadores, objetivando maior aderência a proposta. Ademais, cabe ao Ministério Público, empresários que não apresentarem gestão dos impactos ambientais. Somente assim, a discussão acerca do consumo de carne se difundirá pela sociedade.