O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 11/09/2020
Em uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde da Índia, comprovou-se que em 2015 30% e 22% de mulheres e homens indianos, respectivamente, se identificavam como vegetarianos. Embora haja aspectos culturais e religiosos que influenciam esse costume dos asiáticos, a pesquisa infere, também, que o não consumo de carne está intrínseco ao baixo poder aquisitivo do povo, a superpopulação e da insustentabilidade da pecuária no país, haja vista o território e recursos escassos. Sobre isso, compreendendo o assunto como problema global, urge analisar a questão da cultura do consumo de carne e a importância da adoção de práticas mais sustentáveis no processo de criação.
Mormente, segundo o pensamento dos filósofos da Escola de Frankfurt, “Indústria Cultural” é aquela responsável por modelar a visão política e cultural da sociedade. Sobre esse ponto de vista, compreende-se como uma “cultura de massa” moderna o consumo exacerbado de carne, por exemplo. Isso se deve a influências publicitarias, como o “American Way of Life” que popularizou a imagem da família reunida em churrascos ou com mantimentos de origem animal. Ademais, essa objetificação do alimento como desejo de consumo, fez o insumo se tornar algo com “status” de prosperidade. Dessa forma, o produto passou a ser mais consumido em países ricos do que nos pobres, tornando-se, então, artigo de luxo com altos preços e demanda, o que aumenta a desigualdade no acesso a ele.
Consoante a isso e atento ao cenário global, a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou para a Agenda de 2030 metas para um sistema produtivo mais sustentável. Essencialmente, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável deseja garantir não só a implementação de práticas agrícolas que supram a necessidade dos cidadãos, mas também que ajudem na manutenção do ecossistema. Desse modo, pode-se inferir que a mudança no hábito alimentar de proteínas deve ser repensado e necessário, uma vez que trata-se de uma criação de rebanho voltado para o consumo em massa que gera desgastes no solo e ocupa muito território fértil, ou seja, pouco ecológico.
Destarte, faz-se mister, tal como prevê a ONU, implementar no Brasil medidas práticas para o consumo consciente da proteína animal, assim como, garantir que todos tenham acesso a ela de forma democrática. Cabe, portanto, ao Estado o controle inflacionário da economia e a tributação correta sobre os produtos domésticos para que chegue ao consumidor final com preços acessíveis. Além disso, por meio de campanhas educativas e de acompanhamento com profissionais técnicos do sistema produtivo, conscientizar os criadores sobre alternativas de manejo do solo, de ração e até de engenharia genética para trazer à pecuária tecnologia e formas mais sustentáveis para o sistema. Assim, será possível alinhar o Brasil a Agenda 2030 da ONU e aderir a práticas mais ecológicas.