O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 21/09/2020

De acordo com o filósofo estóico romano Sêneca: “Para a ganância, toda natureza é insuficiente”.Logo, analisando esse pensamento e relacionando-o com a crescente demanda de recursos naturais da sociedade atual, percebe-se que é o consumismo supérfluo de toda a população um dos principais responsáveis pela degradação do meio ambiente. No que concerne aos hábitos alimentares, esse consumismo evidencia-se na digestão de carne de modo exacerbado, que além de ser prejudicial à saúde, se mantém como grande responsável pela poluição ambiental. Portanto, a discussão sobre a redução do consumo de carne é fundamental para resolver a problemática.             Mormente, é importante destacar que, devido a desinformação sobre a maneira eficiente de se alimentar, milhões de pessoas adaptaram-se a um cardápio com frequente presença de carne em todas as suas refeições, tornando-se um hábito excessivo, que é visto como natural, influenciado pela indústria cultural, bem como por grandes empresas como os fast foods. Entretanto, apenas por ser um consumo recorrente no círculo social do indivíduo, com restrições a algumas religiões, não quer dizer que ele seja fundamental para nossa existência. Ademais, vale ressaltar que, segundo um relatório de 2015, feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS), há um fator de risco para o desenvolvimento de câncer mediante o consumo de carne processada. Bem como, outra pesquisa pela Archives of Internal Medicine, afirmou que pessoas que mais ingeriam carne vermelha apresentam maior mortalidade por doenças cardiovasculares e câncer.

Somado a isso, os grandes impactos ambientais que a agropecuária produz, que se acentuam ao passar dos anos pelo exigente mercado consumidor, contribui para a ideia que a diminuição do consumo é uma opção favorável. Diante disso, vale ressaltar que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), publicou em 2006 um relatório, o qual procurou avaliar os impactos ambientais da indústria agropecuária, e dentre os dados alcançados, chegou a afirmativa que a indústria é responsável por 18% das emissões dos gases do efeito estufa em nível mundial, ocupando 70% da terra dedicada à agricultura e 30% da terra livre de gelo do planeta.

Destarte, entende-se, diante do exposto, a real necessidade de uma conduta sustentável na alimentação. Porém, diante de tanta falta de informação na sociedade sobre a forma certa dos hábitos alimentares, a incumbência recai sobre o governo. No Brasil, o Ministério da Educação deve implementar na grade escolar uma matéria que trata apenas de sustentabilidade, por meio de uma alteração na Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, promovendo no âmbito educacional desde a mais tenra idade, um consumo consciente. Desse modo, a problemática se resolverá aos poucos.