O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 14/09/2020

No documentário Cowspiracy, de 2014, o diretor Kip Andersen aborda os impactos socioambientais gerados pelo elevado consumo de carne em todo o planeta, e desafia ONG’s famosas como o grupo Greenpeace a explicar porque não fazem campanha contra esse tipo de alimento. No Brasil, esse problema é muito evidente e preocupante, pois há uma cultura que estimula o consumo de carne desde muito cedo, e parlamentares apoiados por ruralistas poderosos que defendem o desmatamento para aumentar a produção, sempre escondendo os dados alarmantes relacionados à proteína animal.

Primeiramente, é valoroso destacar que o marketing transforma a carne em algo maravilhoso e necessário a vida humana, sendo, inclusive, símbolo de status, já que existem marcas específicas. Desse modo, a sociedade cria uma cultura de culto a carne, em que consomem esse tipo de proteína incessantemente sem saber que ela é mais prejudicial para a saúde do que benéfica. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), apenas 30% da proteína animal é aproveitada pelo organismo humano, e, por ser um alimento rico em gorduras, a carne também contribui para obesidade e problemas cardiovasculares. Isto é, a carne é um alimento pouco eficiente, e ainda existem os vegetais, que são mais saudáveis e possui maior densidade proteica.

Além da saúde humana, existe também o imenso problema socioambiental provocado pelo cultivo da carne. De acordo com a FAO, a pecuária é responsável por 80% de toda a destruição da Amazônia, e que a atividade libera mais gases de efeito estufa que todos os meios de transporte somados, ou seja, a produção de carne provoca um desequilíbrio ambiental em todo o planeta. Entretanto, todo esse impacto não é divulgado para a população devido a influência de pessoas poderosas no meio político, que defendem interesses dos proprietários rurais. No Brasil, existe a Bancada Ruralista, um grupo de parlamentares que buscam flexibilizações ambientais para expandir o agronegócio, sem nenhuma preocupação sustentável, e que representam forte oposição a ideia de reeducação alimentar.

Portanto, é evidente que o consumo de carne cria uma problemática muito complexa que precisa ser melhorada. Para isso, é fundamental que o Ministério da Educação, inclua na base nacional curricular, palestras e debates com nutricionistas, para que eles falem sobre os benefícios relacionados ao baixo consumo de carne, e todas as alternativas mais saudáveis e sustentáveis. Ademais, também é imprescindível que ONG’s, desenvolvam campanhas publicitárias em parceria com a grande mídia, no intuito de informar a população sobre o grande impacto ambiental provocado pela indústria da carne, uma das maiores responsáveis pelo aquecimento global. Destarte, com um povo conscientizado e disposto a contribuir com o planeta, hábitos alimentares saudáveis serão cada vez mais comuns.