O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 20/09/2020

Nos últimos tempos, a questão sobre o consumo de carne se tornou recorrente. Milhões de pessoas estão deixando esse alimento “de lado”, e têm optado por outras opções de proteínas. Muitas pessoas acham que outras param de comer carne simplesmente por ter “dó” do animal que morreu para aquela ser produzida, porém existem outros diversos fatores para a remoção desse alimento nas dietas. Como exemplo, pode-se citar a flatulência das vacas, o desmatamento e o impacto no solo.

Primeiramente, é importante falar que um dos principais agravantes do problema do aquecimento global é o gás metano eliminado na flatulência das vacas, o efeito térmico pode chegar a cerca de 23 vezes mais alto que o gás carbônico. Essa situação é alarmante, pois devemos considerar que cada animal chega a expulsar um total de até 200 litros de metano por dia. Há também as fezes do gado que geram óxido nitroso que tem um efeito térmico de cerca de 300 vezes maior que o das emissões de CO2.

Além disso, há ainda a questão do desmatamento que é feito para que seja possível a criação dos animais. A pecuária ocupa cerca de 1/3 de toda a terra do continente da América Latina. A FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) estima que cerca de 70% da vegetação foi transformada em pastagens e isso tem contribuído de forma significativa para o aquecimento global uma vez que as árvores absorvem CO2 para fazer a fotossíntese.

O solo também é bastante impactado pela pecuária intensiva, acontece a deterioração das condições físicas do solo. O constante pisoteio do gado acaba provocando a compactação do solo e isso implica na redução da capacidade de infiltração da água no solo e no aumento da susceptibilidade à erosão. A pastagem ainda provoca a diminuição do teor de N, P e outros micronutrientes vegetais como S, Zn, Mn e B. Dessa forma a junção do desmatamento com o uso intensivo da terra causa o fenômeno conhecido como desertificação, ou seja, o empobrecimento dos ecossistemas áridos, semiáridos e subáridos pelas atividades humanas.

Portanto, diante dos argumentos expostos, é imprescindível que os governos limitem as áreas que podem ser usadas para pecuária e, caso algum pecuarista ultrapasse o limite, que seja multado ou preso. E também, o número de gados a serem criados nas fazendas poderia ser diminuído, visando, assim, evitar que problemas maiores aconteçam.