O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 15/09/2020
No filme “Okja”, o diretor Bong Joon-ho retrata a indústria cruel do consumo de superporcos. Embora a longa metragem seja fictícia ela exprime com clareza a importância de se discutir o excessivo consumo de carne na sociedade atual. Esse processo é resultado inegável da naturalização dos maus-tratos aos animais. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar esse quadro, pode-se destacar o pensamento capitalista juntamente à manutenção de um poder que menospreza a problemática.
Desse modo, observa-se que o pensamento capitalista somado à comodidade da desumanização dos animais, alicerça ao consumo de carne desenfreado. Esse panorama ocorre porque o atual imaginário coletivo tem como principal objetivo buscar maior lucratividade, obtendo como resultado a cristalização de um individualismo que ignora a violência animal visto que, ao tratá-los de forma mais digna os gastos seriam maiores e o retorno monetário reduziria. Tal enunciado tem como paralelo o pensamento do escritos Millôr Fernandes: “o dinheiro não é só facilmente dobrável como pode facilmente dobrar qualquer um.” uma vez que, negligenciam as atrocidades feitas pela indústria pecuarista, em troca de um lucro maior.
Além disso, é importante ressaltar que a manutenção do poder, aliada à familiarização com a crueldade contra animais resulta na ausência do debate dos hábitos alimentares na atual conjuntura social. Esse fator é decorrente do interesse do Governo em manter o pensamento popular de que não há problemas em maltratar os animais desde que continuem a produção em massa, pois assim os pecuaristas vão permanecer financiando as campanhas governamentais e perpetuando determinados cargos políticos. Esse panorama entra em contradição com o escritor inglês Sydney Smith, cujo afirma: “o governo não é estabelecido para vantagem dos governantes, mas sim dos governados”, posto que os governadores negam tal cenário para os seus próprios benefícios.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca das práticas alimentícias do atual painel social é imprescindível para uma sociedade mais humanizada. Para isso é necessário que o Governo Federal crie, em parceria com os seus Órgãos e Ministérios, um programa Nacional de Combate aos maus-tratos aos animais. Esse programa terá como prioridade propor junto ao Congresso a criação de Leis que alterassem o Parâmetro Curricular Nacional de ensino fundamental e Médio, para incluir hábitos alimentares no currículo das escolas, com o objetivo de dar habilidade ao jovem de compreender a problemática em torno desse fato. Ademais, esse programa pode financiar, com verbas públicas, palestras para estudantes e familiares com orientações de como não estimular a crueldade com os animais.