O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 16/09/2020
No documentário Cowspiracy, de 2014, o diretor Kip Andersen aborda os impactos socioambientais gerado pelo elevado consumo de carne em todo o planeta, e desafia ONG’s famosas como o grupo Greenpeace a explicar porque não fazem campanha contra esse tipo de alimento. No Brasil, esse é um problema muito evidente e preocupante, pois há uma cultura que estimula o consumo de carne desde muito cedo, e parlamentares apoiados por ruralistas poderosos que defendem o desmatamento para aumentar a produção, sempre escondendo os dados alarmantes relacionados à proteína animal.
Primeiramente, é valoroso destacar que o marketing transforma a carne em algo maravilhoso e necessário à vida humana, existindo, inclusive, diversas marcas famosas que bombardeiam o público com propagandas que relacionam churrasco a felicidade. Desse modo, a sociedade cria uma cultura de culto a carne, em que consomem esse tipo de proteína incessantemente sem se importar com os malefícios. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), apenas 30% da proteína animal é aproveitada pelo organismo humano, e, por ser um alimento rico em gorduras, contribui para obesidade e problemas cardiovasculares. Ou seja, a carne é pouco eficiente em comparação aos vegetais, que são mais saudáveis e possuem maior densidade proteica.
Além da saúde humana, existem também o enorme problema socioambiental provocado pelo cultivo da carne. De acordo com a FAO, a pecuária é responsável por 80% de toda a destruição da Amazônia, e também é a atividade que mais libera gases de efeito estufa, superando todos os meios de transporte somados, revelando ser uma atividade que promove um desequilíbrio ambiental em todo o planeta. Entretanto, todo esse impacto não é divulgado devido à influência de pessoas poderosas no meio político, que defendem interesses dos latifundiários. No Brasil, existe a bancada ruralista, uma equipe de congressistas que buscam flexibilizações ambientais para expandir o agronegócio, sem nenhuma preocupação sustentável, e que representam forte oposição a ideia de reduzir o consumo de carne.
Portanto, é notório que o consumo de carne cria uma problemática muito complexa que precisa ser melhorada. Para isso, é fundamental que o Ministério da Educação inclua na base nacional curricular palestras e debates com nutricionistas, para que que eles falem dos benefícios associados ao reduzido consumo de carne e todas as alternativas mais saudáveis e sustentáveis. Ademais, também é imprescindível que ONG’s desenvolvam campanhas publicitárias em parceria com a grande mídia, no intuito de informar a população sobre o impacto ambiental ocasionado pela indústria da carne. E, por fim, é essencial que um projeto de lei, feito pelo Congresso, aplique condenações mais rígidas a fazendeiros que praticarem o desmatamento, com prisão e obrigação de reflorestamento.