O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 12/01/2021
Devido a dependência de alianças comerciais que estavam em conflito, a Segunda Guerra Mundial provocou uma preocupação global e quantitativa sobre alimentação. Contudo, no Brasil atual, essa aflição está pautada na qualidade alimentar, a qual envolve a discussão sobre o consumo de carne e hábitos alimentares, considerando duas vertentes principais: o direito dos animais e a preservação ambiental.
Vale destacar, a princípio, o pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, primeiro a incluir moralmente, na filosofia, os animais, pela justificativa de semelhança nas essências do sofrer e do querer. No entanto, o sofrimento animal tem uma relevância social menor que a humana. A criação em massa dos animais para abate, por exemplo, contraria essa concepção, pois revela uma correlação historicamente injusta, a qual os animais foram e são privados de liberdade e seus corpos são utilizados para a obtenção de carne e derivados, enquanto os humanos, em troca, oferecem comida e abrigo. Assim, é indubitável a necessidade de discutir os hábitos alimentares, para atenuar o consumo de carne.
Outrossim, a agropecuária causa impactos ambientais negativos, fator importante que corrobora para a importância da discussão. De acordo com a ONG Greenpeace, a pecuária é responsável por 60% do desmatamento da floresta Amazônica. Esse dado revela o grave prejuízo ambiental causado pela desenfreada destruição da natureza para fins comerciais, sem a preocupação objetiva com as futuras gerações. Logo, esse desleixo põe a sociedade atual na iminência de problemas irreversíveis. O documentário brasileiro “Ser tão, velho cerrado” apresenta a situação dos moradores do cerrado frente a defesa da natureza e na tentativa de conciliar os interesses locais com os econômicos de grandes produtores e demonstra a dificuldade de chegarem em um consenso. Portanto, é fundamental que a questão do meio ambiente seja pautada nessa discussão.
Destarte, o consumo de carne na sociedade atual está direcionado à sua redução, logo, o Ministério da Agricultura deve formular e implementar o limite de hectares contínuos para a criação de animais para abate e intercalar com a natureza pré-existente, fornecendo multas mensais em caso de descumprimento da medida, com a finalidade de diminuir o desgaste e prejuízo ambiental, preservando a qualidade de vida da sociedade atual e das futuras gerações. Ademais, cabe ao Estado, utilizando as redes sociais, criar o projeto “Menos carne, mais vida!”, o qual apresenta receitas vegetarianas ricas em proteína e capazes de substituir a carne, a fim de influenciar a população a diminuir seu consumo. Desse modo, a moral proposta por Schopenhauer (animal e humana) será mais justa.