O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 22/09/2020
Após o Dilúvio, conta-se que o ato de comer carne passa a ser tolerado, pois as relações de equilíbrio entre as espécies, mesmo com o purificação universal, estavam abaladas. O que se expressou nessa tradição milenar encontra, atualmente, sérias consequências, uma vez que as técnicas utilizadas pela pecuária, especialmente no que se refere ao uso do território, afetam negativamente o meio ambiente e culturas tradicionais.
Em primeiro, é aterrador perceber como a atividade pecuária é danosa para a cobertura vegetal original. Na América do Sul, por exemplo, consolidou-se o uso de grandes áreas de pastagens para a criação de gado. Obviamente, esses espaços precisam ser viabilizados, o que significa destruir as espécie autóctones e introduzir as gramíneas que servirão de forragem para os animais. Disso decorre, que ela está diretamente relacionada com a destruição de áreas florestais; em análises feitas pelo INPE, na Amazônia, houve entre os meses de julho e agosto deste ano um incremento de 72% da área desmatada em comparação com o mesmo período de 2019.
Por outro lado, há também grupos humanos tradicionalmente ligados aos territórios ocupados que estão sob constante ameaça, a indústria da carne também representa um perigo para muitas famílias. No passado, comunidades indígenas foram expulsas para regiões remotas, como a Patagônia e a Amazônia, devido à expansão das pastagens para o gado. Atualmente, o CIMI e a Funai apontam que 85% das terras indígenas demarcadas continuam a sofrer invasões e depredações por parte de posseiros ligados ao corte da madeira e à pecuária.
Portanto, para além de questões nutricionais, o consumo de carne e a indústria que esse hábito move representam uma grande ameaça aos homens e ao planeta. Desse modo, é necessário que o setor, em parceria com o Ministério da Agricultura, aplique técnicas mais modernas, eficientes e de menor impacto como o pastejo rotacionado, a qual viabiliza a atividade mesmo em pequenas propriedades.