O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 19/09/2020

Na década de 1990, um dos episódios da animação norte-americana “Os Simpsons” abordou a temática do vegetarianismo, quando a personagem Lisa Simpson decidiu parar de comer carne. À princípio, Lisa foi ridicularizada por seus familiares, que não compreendiam seu compromisso com os animais e com a questão ambiental. Fora da ficção, o questionamento acerca dos hábitos alimentares tem sido fomentado por grupos de proteção aos animais, que denunciam a crueldade do método de criação para o abate, e também por ambientalistas, que alertam para a necessidade de reduzir o consumo de carne.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, o consumo de carne vem aumentando como efeito de uma padronização dos hábitos alimentares globais. Nesse sentido, mesmo os países de cultura vegetariana, como a Índia, tem aderido à tendência de consumo expressivo de carne. Essa realidade foi anunciada pelo geógrafo Milton Santos, que alertava para o fato de que cada vez mais o mundo consumiria à maneira dos norte-americanos. Desse modo, a fim de sustentar tal padrão de consumo, o capitalismo industrializou a criação de animais, por meio de um método cruel de produtividade, baseado na criação para o abate. Assim, nas fazendas industriais, seres vivos são confinados em espaços pequenos e submetidos a crueldades, como denunciam os ativistas de proteção aos  animais.

Em segundo lugar, produzir carne gera um alto custo ambiental. Prova disso é que a pecuária é a principal causa dos desmatamentos no Brasil, pois a cobertura florestal é retirada para ocupação da área com pastos. Ademais, a prática da pecuária em larga escala tem elevado sobremaneira o índice de emissão de gases causadores do efeito estufa, contribuindo diretamente para o aquecimento global. Paralelamente às ações devastadoras dos seres humanos, o ecologista Arne Naess ressaltava a importância de se reconhecer como parte da natureza para evitar a catástrofe ecológica. Logo, reconhecer-se como integrante da natureza é questionar hábitos alimentares baseados na crueldade da criação industrial de animais e na devastação do meio ambiente.

Portanto, considerando a crueldade para com os animais, e os recursos finitos do planeta, é necessário agir. O Estado deve punir duramente, por meio das leis do Código Florestal, os pecuaristas que desmatam ilegalmente áreas de floresta para a criação de pastos, a fim de coibir a prática e preservar os biomas brasileiros. Importa ainda a atuação das escolas e universidades públicas na adesão da campanha mundial da “segunda sem carne”, incluindo no cardápio opções vegetarianas uma vez por semana, para promover ações individuais na proteção do meio ambiente. Assim, é possível aprender com Lisa Simpson a ter compromisso com a causa animal e ambiental.