O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 20/09/2020

“A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação”. A afirmação atribuída ao dramaturgo irlândes Oscar Wilde pode facilmente ser aplicada ao consumo de carne como questão social, já que é justamente a falta de incômodo social diante dessa vicissitude que a consolida como um regresso para a nação mundial. Nesse sentido, essa situação de indiferença tem como origem inegável a naturalização do sacrifício animal para as práticas alimentares. Assim, não só a replicação do pensamento errôneo da carne como a única detentora da proteína como também a habitualidade das consequências ambientais causadas por esse mal contribuem para a naturalização desse quadro problemático.

De tal modo, a ausência de conhecimento sobre a existência de outros alimentos ricos em proteína gera o consumo mecânico da carne. No documentário “Dieta para Gladiadores” o autor desmistifica a idéia do alimento de origem animal como fonte alimentar exclusiva rica em nutrientes essenciais, apontando que os gladiadores romanos, homens com atividades de alta performance e saúde inquestionável, consumiam uma dieta restrita de origem vegetal e rica em proteínas de valor nutricional superior ao da carne. Assim, fica evidente o quão importante é buscar conhecimento sobre as diversas variedades alimentícias e conhecer a tabela nutricional com a finalidade de adquirir consciência do consumo alimentar e dos benefícios - por exemplo, boa disposição, bom desempenho físico e alto rendimento-, que uma dieta rica em vegetais proporciona.

Além disso, percebe-se que a habitualidade dos danos ambientais solidifica a persistência do consumo desmedido da matéria animália. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o setor da pecuário é umas das principais causas de poluição e consumo de água- são gastos cerca de 17 mil litros de água por quilograma de carne bovina produzida -, desmatamento e contribuintes para o aumento do efeito estufa, em detrimento da eliminação de metano pelos ruminantes a partir da digestão do alimento. Desse modo, fica evidente as injúrias que consumo imprudente ocasiona ao planeta, tendo-se como necessidade a urgência de mudança de hábitos alimentares a fim de mitigar os danos ao meio ambiente.

Portanto medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Cidadania em parceria com o Ministério da Saúde devem promover campanha de conscientização, com o apoio de profissionais nutricionistas em centros comunitários apresentando a variedade de produtos e meios de preparos de alimentos de origem vegetal, de modo a desmistificar a carne de origem animal como matéria-prima fundamental na formação de suas refeições.