O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 24/09/2020

Repensando o consumo e a produção de carne

No dia 21 de julho de 2020, iniciou-se um incêndio no bioma brasileiro chamado pantanal, na área do estado de Mato Grosso. Até o dia 13 de setembro de 2020, 1.740.000 hectares do bioma já foram queimados. Ao fim de uma investigação, chegou ao público que as queimadas iniciaram-se em propriedades rurais voltadas para a pecuária. Com isso, começou uma grande discussão sobre o consumo de carne exacerbado no Brasil e o efeito disso no meio ambiente.

O veganismo e o vegetarianismo foram intensamente debatidos nos últimos anos, principalmente na internet, e com isso, uma pauta recorrente são os efeitos do consumo de carne do brasileiro, já que segundo o professor do Laboratório de Pesquisas em Bovinocultura da Universidade  Federal do Paraná (UFPR) Paulo Rossi, cada brasileiro consome cerca de 35kg por ano. Tendo em vista que na produção de um quilo de carne de boi são utilizados 17 mil litros de água, e que as atividades pecuárias são um dos principais motivos para emissão de gases estufa no mundo, é necessário refletir sobre como uma mudança alimentícia da população mudaria drasticamente a situação da preservação do meio ambiente no Brasil.

Além disso, há também os aspectos de saúde pública. Há indícios de que a carne vermelha aumenta o risco de doenças cardíacas e o colesterol, e segundo a  Sociedade Brasileira de Cardiologia, 40% dos adultos brasileiros tem colesterol alto. Portanto, a discussão sobre o consumo de carne vai além do âmbito ambiental, o que torna ela ainda mais complexa.

Ademais, é necessário que o Estado intervenha nesse assunto por meio do Ministério da Saúde, em conjunto do Ministério da Educação, tendo campanhas informativas sobre o efeito do consumo de carne e da produção da carne. Do mesmo modo, o Ministério do Meio Ambiente deve agir ativamente por meio da entidade Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para conter os incêndios causados pela agropecuária e punir devidamente os incêndios criminosos que ocorrem há décadas.