O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 08/10/2020

Analisar um Brasil que possui mais cabeças de gado do que de humanos e as consequências dessa demasia, é o estopim para a reflexão de um hábito extremamente insuflado na construção da sociedade: o consumo de carne. Em princípio, discutir sobre esse assunto pode parecer inútil, visto que a alimentação se configura como uma ação totalmente automática, excluída de reflexões. Mas, é justamente essa negligência que traduz como problemática a reprodução desse hábito, uma vez que nossas escolhas alimentares exercem grandes impactos, tanto na saúde como, sobretudo, no meio ambiente.

Antes de tudo, é necessário questionar o porquê de a presença de carne no prato dos brasileiros ser tão valorizada, embora seja um produto caro e consequentemente com destoante poder de acesso para as diferentes classes da população. Só para ilustrar, toma-se como base a história da feijoada, que teve seu surgimento nas senzalas, pelos escravos, produzida por meio da mistura de feijão com os restos de carne da comida dos portugueses. Isso, diz muito sobre a relação entre poder e tipo de alimentação, já que alimentar-se deixou de ser uma questão unicamente de sobrevivência, como ocorria no período Paleolítico, para tornar-se uma forma de reforçar as hierarquias sociais. Desse modo, a cultura de comer carne passou através das gerações, ganhando ainda mais reforços ao instaurar-se no imaginário popular a essencialidade do consumo de proteína animal e mediante a toda persuasão promovida pelas indústrias, as quais obtém um faturamento bilionário com esse sistema.       Outra perspectiva a ser considerada é a reflexão a respeito das origens daquilo que colocamos no prato e as consequências dos impactos de nossas escolhas alimentares. No Brasil, há mais gado do que pessoas, isso, sem contar com as aves, suínos, etc. Toda essa população de animais ocupa imensos espaços de terra, exige um grande consumo de água e alimentos, os quais se não fossem destinados para a pecuária, poderiam sanar a fome de milhões de pessoas. Ademais, têm-se o desmatamento causado por essa indústria, responsável pela destruição de importantes biomas, com destaque para Amazônia e Pantanal.

Por isso e diversos outros fatores de ética e saúde é fundamental que nossos hábitos alimentares sejam repensados, a fim de construirmos uma sociedade mais justa e consciente. Assim, seria conveniente que o Ministério da Educação promovesse palestras nas escolas e incluísse de maneira mais abrangente o ensino sobre as origens dos alimentos que consumimos e os impactos que eles causam e dessa maneira haveria a formação de indivíduos mais engajados nas causas ambientais.