O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 02/10/2020

Desde os últimos anos, o consumo de carne tem gerado muitos debates a respeito de questões socioambientais. No Brasil, a cada segundo um porco, um boi e cento e oitenta frangos são abatidos; o genocídio animal não tem fim e é ele um dos principais responsáveis pela extinção de espécies, mudanças climáticas e de terras antes produtivas. A ignorância, ingenuidade, o especismo e a falsa necessidade da carne são os fatores que mais contribuem para a problemática em análise. É de extrema importância que a consciência da realidade por trás da carne seja despertada e a situação seja revertida por meio de campanhas e divulgação de documentários que abram os olhos e a mente dos indivíduos que não são adeptos a dietas veganas e/ou vegetarianas.

Em primeiro lugar, faz-se necessária a importância da informação e divulgação de fatos a respeito da indústria de carne. Como certa vez disse o cantor Paul McCartney, se os matadouros tivessem paredes de vidro todos seriam vegetarianos; sabe-se que os matadouros não possuem paredes desse material, mas esse não é motivo para que todos fechem os olhos perante a crueldade. Portanto, é fundamental que documentários como “Cowspiracy” e “Dominion” sejam divulgados ao público; filmes como esses mostram imagens de sofrimento dos animais explorados e relacionam a indústria com o desmatamento, queimadas e demais problemas enfrentados na contemporaneidade.

Além disso, é importante que a desconstrução a respeito da falsa necessidade do consumo de carne seja iniciada desde a infância. Nos dias atuais, para muitas famílias ter carne na mesa significa ter boa condição financeira. A situação não deve ser encarada dessa maneira e é justamente por isso que campanhas como a Segunda Sem Carne — organizada pela Sociedade Vegetariana Brasileira — se tornam essenciais; abrir os olhos e perceber que um dia numa dieta vegetariana gera impactos positivos na Terra, como por exemplo 3.400 litros de água poupados, é o primeiro passo para que a desconstrução seja realizada e que a carne deixe de ser vista como essencial para os humanos.

Assim sendo, urge que as escolas incentivem os debates a respeito da pecuária industrial e apoiem campanhas como a Segunda Sem Carne, valorizando nas merendas escolares comidas naturais com riqueza de nutrientes — que muitos consideram inexistentes fora da proteína animal, graças à desinformação —, essenciais para o desenvolvimento dos alunos. Ademais, destaca-se a importância da divulgação, através dos veículos de comunicação e da mídia, de documentários como os citados anteriormente, que provam a urgência na mudança dos hábitos alimentares e na consideração da dieta vegetariana. Somente desta maneira a sociedade estará disposta a abrir mão de hábitos especistas estruturais e muitas das problemáticas socioambientais contemporâneas serão evitadas.