O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 09/10/2020

Desde a Pré-História, o homem desenvolveu uma dieta baseada em carne animal, hábito esse que desencadeou uma significativa extinção da megafauna, devido à caça massiva. Posteriormente, com a Revolução Neolítica, a prática de se cultivar o próprio alimento, intensificou a criação de animais como bovinos, suínos, caprinos, ovinos e aves. Ademais, a partir do século XIX com a Revolução Industrial, o consumo e a produção de carne cresceu veemente, perdurando até a contemporaneidade como um fator intrinsecamente cultural. Portanto, torna-se de suma importância a discussão dos hábitos alimentares na sociedade atual.

Primordialmente, cabe-se destacar que o intensivo consumo e produção de carne não atinge à todas as parcelas da população. De acordo com o “Mapa da Carne” da Fundação Heinrich Böell juntamente à Organização Não Governamental (ONG) Friends of the Earth, os locais com maior produção de carne a nível mundial, são os Estados Unidos, Europa, China e Brasil; em contrapartida, o continente africano, Oriente Médio e parte dos países asiáticos e sul americanos, têm uma produção comparavelmente baixa. Ou seja, toda essa carne produzida destina-se na maioria das vezes às parcelas classe alta e classe média alta da sociedade, de modo que a população periférica e a classe baixa raramente têm acesso a esse alimento, devido ao alto custo de produção e por consequência, alto valor de aquisição.

Além disso, há um preocupante dilema ambiental acerca da pecuária, a qual atinge o meio ambiente de forma extremamente prejudicial. Segundo o Instituto Humanitas Unisinos, para se produzir 1 Kg de carne bovina, são necessários 165 m² de pasto e mais de 17 mil litros de água. Fato esse, que contribui notoriamente com questões como o desmatamento e queimadas para gerar pasto, não só para a criação de gado, que ainda contribui para o aumento de gases do efeito estufa, mas também para o cultivo de milho e soja que alimentam o gado, intensificando assim o uso de agrotóxicos.

Em suma, devido à todos os aspectos analisados, fica notória a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual. Destarte, é papel da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura juntamente ao Ministério da Agricultura, desenvolverem políticas públicas que responsabilizem os grandes latifundiários por ações danosas ao meio ambiente e sociedade, além de promoverem projetos que incentivem a agricultura familiar, capaz de contribuir com uma dieta mais saudável para a sociedade. Feito isso, cada vez mais ONGs como o Greenpeace, ganharão espaço para lutar por direitos relacionados à ética animal e conscientizar a população sobre outras possibilidades, como a dieta vegetariana que traz elementos ricos em proteínas de forma bastante econômica. Assim sendo, sociedade, meio ambiente e animais, poderão viver em maior harmonia.