O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 14/10/2020

O documentário brasileiro “A carne é fraca” é um registro audiovisual do sofrimento imposto aos animais durante o abate que produz a carne que chega na mesa dos brasileiros. O processo documentado surge do afã de abastecer um mercado consumidor sôfrego e tem, como subproduto, o desperdício de carne e o desequilíbrio ambiental.

Inicialmente, cabe destacar que, segundo a Organização da Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, cerca de 20% das 263 milhões de toneladas produzidas por ano é desperdiçado. Isso demonstra a ineficácia da indústria da carne, que aplica duras penas, de maneira desnecessária, aos animais e ecossistemas, bem como gera um excedente que não é utilizado em causas sociais de combate à fome.

Outrossim, verifica-se que, a agricultura demanda o espaço não-urbano e, para obtê-lo, se tornou um catalisador do desmatamento no Brasil. Tal assertiva é comprovada pelo estudo, de 2020, publicado na revista Nature, que afirma de cerca de 17% da carne bovina produzida no Brasil tem rastro de desmatamento. Mister se faz, também, salientar a importância das florestas, vivas, como agente capturador do gás carbônico, um fomentador do efeito estufa, que provoca um aumento gradual da temperatura no planeta.

Mediante o exposto, é imperioso que o Governo Federal, através do Ministério do Meio Ambiente, promova peças publicitárias que visem despertar a população para o consumo consciente de carne, haja vista que os cidadãos sintetizam a demanda cuja resposta põe em risco sua própria existência. Essa mensagem deverá ser divulgada na televisão, no rádio e através de cartilhas, a serem distribuídas nas escolas. Dessa maneira, comutar-se-ia “A carne é fraca” em uma memória visual de tempos remotos.